I Seminário de Educação Escolar Baniwa e Coripaco é realizado na comunidade Vista Alegre- Rio Cuyarí.

Foto. Raimundo B. Participantes do I Seminario

O I seminário de Educação Escolar Baniwa e Coripaco, realizado na comunidade Vista Alegre-Rio Cuyarí afluente do Rio Içana, reuniu mais de 200 pessoas entre os dias 25 a 30 de junho. Entre estes alunos, professores, pais de alunos, lideranças das Associações e outros. Estiveram também presentes a Laíse Diniz- Assessora do ISA, Elise Capredon-Estudante Universitária (que colaborou durante o evento), Mario Farias-OIBI, Irineu Laureano-FOIRN, Denivaldo Cruz-Depto de Educação da FOIRN, Laureano Americo-OICAI e outras lideranças. Organizado pela Rede de Escolas Baniwa e Coripaco em parceria com o Instituto Socioambiental-ISA, o evento teve como objetivo reunir as escolas da região do para a troca de experiências entre professores e alunos e apartir dessas experiencias iniciar a construção do Programa de Educação Escolar Baniwa  e Coripaco.

 Histórico

 Os passos se iniciaram em 2006 quando foram realizados dois grandes encontros das escolas da região do Rio Içana, para discutir a educação escolar Baniwa e Coripaco vinculada aos projetos das comunidades. A participação de lideranças, professores, pais e alunos foi fundamental para definir como deveria ser o ensino escolar. E assim, outras escolas que estão começando poderiam ter acesso as experiencias que deram e que estão dando certo na região.

 Outro passo importante dessa discução foi feito em 2008, na comunidade Ukuqui- Rio Ayarí, onde foi criada a Rede de Escolas ao som das flautas sagradas, como o objetivo de coordenar e realizar Intercambios entre professores e alunos de diferentes escolas  para troca e aprendizagem, apoio a atividades de ensino, pesquisa ou formação. Tendo com uma das principais linhas de ação a formação (autoformação) dos professores no sentido de que tenham condições de buscar juntos, estratégias pedagógicas, instrumentos de auto-gestão e conhecimentos, deixando de lado práticas que não sejam coletivas.

 

Encontro da Rede em Vista Alegre-Cuyarí. 

Foto: Raimundo. Aluna Sandra da Escola Moliweni explica como foi feito a pesquisa sobre Aturá

Feira de Ciências

O evento foi marcado pelas exposições de cada escola  participantes do evento. Vários temas foram trabalhadas nesse primeiro semestre nas escolas, como resultados desses trabalhos foram expostos ao público artesanatos produzidos como urutus, balaios, remo, ralo, Cacurís (maquete), bolsas de tucum e outros. Vários cartazes tomaram conta do espaço do salão comunitário de Vista Alegre, com desenhos, textos, objetivos e metodologias de trabalho feito pelos professores com seus alunos.

Foto: Raimundo B. Professor Augusto apresenta seus trabalhos em Vista Alegre.

Não deixando de lado a parte pedagógica do trabalho, o ensino, segundo os professores os alunos de ciclos iniciais tiveram notáveis avanços na leitura e na escrita a partir desses trabalhos. “Aprendemos muito com outras escolas através de suas exposições, estarei levando aquilo que achei interessante para minha escola”-disse Augusto Garcia, 23, professor da Escola Menino de Deus da comunidade Wariramá-Rio Cuyarí. Nesse seminário ele trouxe na bagagem duas coisas para compartilhar: experiencia de ensino através da pesquisa e seus mini-cacurís feitos pelos seus alunos de 9 a 14 anos de idade. 

  

Discussão da Proposta da Metodologia de ensino nas Escolas da Região do Içana e Afluentes

 Os grupos de trabalhos foram organizados por escolas, e tiveram como o trabalho de fazer e colocar do que achou das exposições feitas, seguindo o roteiro proposto pela coordenação do evento, como: Quais caminhos comuns e diferentes estão sendo trabalhado pelas escolas e ainda fazer uma análise sobre que avanços e se a metodologia de ensino-pesquisa desenvolvido contribui na qualidade de ensino nas escolas. 

Através desses trabalhos, foi possivel mapear a metodologia de ensino nas escolas da região, quais dificuldades estão sendo enfrentadas e que caminhos estão sendo diferentes e inovadoras. Um dos caminhos comuns encontrados é o ensino através da pesquisa praticado por quase todos os professores nas escolas do rio Içana. O caminho diferente iniciado foi da escola Hiipana- Rio Ayarí, onde os pais e mestres da comunidade estão iniciando o trabalho de ensino do Conhecimento Tradicional (Formando futuros pajés), iniciativa da escola e comunidade em parceria com um dos pesquisadores que passaram e continua mantendo contato com essa região, em especial a comunidade Hiipana. 

Os grupos de trabalhos continuaram, dessa vez para elaborar a prosta do Programa de Educação Escolar Baniwa Coripaco, onde os mesmos grupos continuaram, mas, agora com a participação das Lideranças e pais de alunos em grupo separado. O resultado desses GTs foram apresentados e depois elaborado o documento final do seminário, que será encaminhado as lideranças representantes, aos orgãos responsáveis pela educação e aos parceiros. 

De acordo com a avaliação dos participantes, o evento foi muito bem organizado e realizado pela coordenação da rede. A comunidade Vista Alegre foi aplaudida pela hospedagem e alimentação dada os participantes. O próximo encontro da rede não tem data de realização definido, mas, de acordo com as propostas, o evento será realizado na região do Alto Içana, como os “Ñamepako”. 

Foto Raimundo. Artesanatos em exposiçao no evento.

E teve mais. No final do evento as escolas venderam seus artesanatos para interessados. E por último, aconteceu o encerramento do I Seminário de Educação Escolar Baniwa e Coripaco, onde os alunos apresentaram cantos e palavras de agradecimento aos coordenadores do evento e a comunidade sede de realização. 

 

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Uma resposta em “I Seminário de Educação Escolar Baniwa e Coripaco é realizado na comunidade Vista Alegre- Rio Cuyarí.

  1. Bom ter este relato detalhado! Quem sabe se eu não vou citar o material de seu blog na minha pesquisa algum dia!
    Mais precisões sobre a minha formação universitaria, caso alguém queira saber :
    estou fazendo um Doutorado em Antropologia na UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e na EHESS (Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales, uma universidade francesa), e o tema da minha pesquisa é a religiosidade Baniwa. Sou também pesquisadora associada ao ISA.
    Bom, agora sei como ficar informada da atualidade baniwa quando estiver na França!

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