Escola Pamáali, danças tradicionais Baniwa voltam a acontecer depois de muitos anos de silêncio.

Formatura de alunos de ensino fundamental na Escola Pamáali (foto: Plinio M).

Tradicionalmente, as flautas e instrumentos são guardadas em igarapés, lá podem ficar quanto tempo for necessário, quando são retirados para as festas o som continua sendo o mesmo, muitas vezes melhor do que antes. Deixar os instrumentos na água é uma forma certa de preservar e manter as flautas em plenas condições de serem usadas.

Antes da chegada dos missionários evangelicos na região, os Baniwa realizavam suas festas de comemorações e rituais que eram realizadas em certos períodos. Depois da chegada deles, a forma de viver nas comunidades mudou também. Houve uma conversão em massa da população. Depois de alguns anos, outros preferiram voltar a viver como viviam antes, outros preferiram seguir a nova crença.  Muitos velhos deixaram de passar o rico conhecimento de danças e muito conhecimento tradicional que possuiam. As flautas foram guardadas, o conhecimento guardado e demorou muito tempo para que voltasse a soar. A região ficou em silencio por um bom tempo, embora em algumas comunidades ainda estivessem acontecendo, mas, o trecho do médio ficou em silencio.

Quando em 2004, as flautas voltaram a soar na região, na primeira formatura de ensino fundamental da escola Pamáali. Dezessete jovens, e ao redor mais de 300 pessoas assistindo aquilo que há tempo os olhos não viam. Alguns velhos ficaram emocionados ao ver e ouvir o som das flautas. Quanto tempo demorou para tirarem as flautas das águas. Depois, em outras formaturas continuaram as apresentações. Hoje, na região é comum ver danças tradicionais em eventos e recpções.

Demorou, mas, é muito bom saber que os velhos não deixaram o conhecimento e as danças desaparecerem, apenas guardaram elas nos igarapés, porque sabiam que algum dia eles iriam usá-las.

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Uma resposta em “Escola Pamáali, danças tradicionais Baniwa voltam a acontecer depois de muitos anos de silêncio.

  1. Fico feliz de saber disso. Admiro a arte do povo Baniwa desde que estive na região do alto rio Negro em 2000. Na ocasião vi em São Gabriel uma casa linda construida dentro de seu estilo e observei a sabedoria que tem para saber usar os materiais da floresta. Soube que haviam se distanciado das suas festas, danças e tradições por conta da influência dos evangélicos. É isso > Viva a riqueza cultural dos povos amerídios/ brasileiros, me inspiro em sua arte milenar para as pinturas que faço há cerca de trinta anos.
    http://www.facebook.com/album.php?aid=194725&id=176516014793

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