Soberania Alimentar Indígena: Cultura e Alimentação entre os Baniwa do Içana.

Encontro de Comida Tradicional em Santa Rosa reuniu mais de 80 pessoas entre estes estudantes, professores, conhecedores e donas de receitas de comida tradicional.

 

Dona Elizabete Brazão preparando “Kiniki Iphe inaidali Kophe” durante o encontro (foto: Sully Sampaio)

O II Encontro de Comida Tradicional Baniwa(*) realizado entre os dias 15 a 17 de fevereiro de 2010 em Santa Rosa é uma das atividades do Projeto Soberania Alimentar Indígena: Cultura e Alimentação entre os Baniwa do Içana, Alto Rio Negro. Financiado pela Unesco/ Museu do Índio – Funai e realizado pela FIOCRUZ-Amazônia em parceria com FOIRN, EIBC/ACEP e Escola Kalidzamai, coordenado pela Dra Luiza Garnelo Garnelo e sua equipe, na qual participam dois professores Baniwa Juvêncio Cardoso/escola Pamáali e Getúlio Brazão da Escola Kalidzamai.

O projeto iniciou suas primeiras ações em 2011 na região do médio Içana II onde o projeto é desenvolvido por um período de três anos. Estão envolvidas diretamente duas escolas Baniwa, a Escola Pamáali e Escola Kalidzamai. Os principais conhecedores Baniwa da região do médio Içana e Ayarí estão envolvidos. Nesse segundo encontro realizado pelo projeto reuniu mais de 80 pessoas, entre estes, alunos, professores, conhecedores e “Donas de Receitas”.

O Encontro teve como objetivo a divulgação do Projeto. A partir deste, foi feito o levantamento e identificação de sábios e conhecedores Baniwa que irão participar do desenvolvimento das atividades de projeto, para um diálogo entre estes como sobre os possíveis registros dos processos de preparos de comida, dos processos de confecção de instrumentos musicais, das músicas tradicionais e cerimônias culturais de trocas de alimentos ou de produtos. “Os registros que vamos fazer vão ajudar na revitalização da cultura e do sistema alimentar Baniwa (por meio à preservação dos mitos, ritos) para promover a soberania alimentar, permitindo assim a continuidade desses conhecimentos entre as novas gerações” disse a Dra. Luiza Garnelo na abertura do encontro.

Foi realizado o registro de processos de preparo de comida

Foto: Sully S.

Preparar comida com “Folha de maniwa” foi o processo que a dona Elizabete Brazão da comunidade local apresentou. Começando desde a colheita da folha de maniwa na roça até estar pronto para ser desgostado, demorou dois dias. Depois de piladas, as folhas bem trituradas passam três horas no fogo, acrescentando três vezes a água. “Poucas mulheres fazem esse tipo de comida atualmente, porque exige tempo e dedicação, apesar de ser uma comida importante e alternativa de variar o cardápio da casa e ainda uma forma de aproveitar as folhas de maniwa que são pouco aproveitados pelas mulheres”-disse Elizabete.

Nesse encontro ela preferiu colocar peixe cru, beiju e acrescentar  sal a gosto para ficar pronto. Segundo ela, depois de cozinhar bem as folhas de maniwa a pessoa escolhe quais serão os ingredientes a acrescentar para ficar  ganhar um sabor diferente.

O Jonas Olimpio mostrou as técnicas necessárias para subir e descer com um cacho enorme de patauá no mato. O processo inicial para fazer vinho de patauá começa lá no mato nas mãos dos homens. Quando chega para casa, os processos finais ficam na responsabilidade feminina, geralmente.

Outras donas de receitas também demonstraram ao longo dos dias da oficina outras receitas como por exemplo, Dzalikhaa Míitsi (Mojeca de peixe moqueado) da dona Ercília Fontes, Prato-Dzeeka como a dona Carmem Placido Olimpio da comunidade Tapira Ponta.

Enquanto as panelas estavam no fogo fervendo, outras atividades do encontro aconteceram como a gravação de histórias relacionadas ao tema do evento. Participaram destas gravações o conhecedores:  Alberto Lourenço (Jandú Cachoeira), Armando Fontes (Santa Marta).

Para encerrar o encontro foi feito uma avaliação sobre as atividades e da realização do encontro de forma geral. A maioria dos participantes apontou a importância da realização e da presença de conhecedores e jovens no encontro. Por ser um dos tipos de encontros raros na região. E Santa Rosa  foi escolhido para sediar os próximos encontros do projeto.

 (*) -O primeiro encontro aconteceu em Juivitera em 2007, por isso foi considerado o II, o realizado em Santa Rosa, embora seja, o primeiro do Projeto, segundo as informações da equipe do Projeto Soberania Alimentar.

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