Oficinas de Acordos ortográficos das línguas co-oficializadas do Município de SGC.

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A busca por uma “escrita” mais próxima da forma como se fala as línguas indígenas do Rio Negro não é recente. Línguistas, pesquisadores tem sido as pessoas que chegam, pesquisam e propõem essas propostas, é claro, geralmente com pessoas falantes dessas línguas indígenas. Resultado disso. Já existem muito materiais didáticos e para-didáticos produzidos em algumas línguas, as mais conhecidas e divulgadas são: Baniwa, Tukano e Yêgatú.

Mas, o movimento mais recente, há pelo menos desde o início desta década, os próprios indígenas, através de organizações comunitárias e, em especial de professores, vem criando e buscando, eles próprios a discutir como “pode pode ser” usado, ou aproveitado o que “ja existe” (propostas de grafias). Já que essas linguas (três) são co-oficializadas no município. Mas, até agora no só papel, sem implementação.

Uma das poucas implentações conhecidas, ou práticas até hoje, é o processo seletivo da para o Curso de Licenciatura Indígena da UFAM (Políticas Educacionais e Desenvolvimento Sustentável), em que os inscritos, realizam a prova nas línguas indígenas.

Nesse ano, sobretudo, a partir de segundo semestre, lideranças, indígenas, professores e estudantes voltaram se reunir para retomar as discussões que algum tempo havia sido “deixadas de lado”. Em agosto, o COPIARN (Conselho dos Professores Indígenas do Rio Negro), reuniu falantes dessas línguas na Casa dos Saberes da FOIRN, em São Gabriel da Cachoeira, para iniciar a retomada dessa atividade. O evento de dois dias, foi suficiente para apresentar o que já tem de material didático produzidos nas línguas, e aos mais jovens, que estão começando a participar do movimento, conhecer a história de como começou o movimento (co-oficialização das línguas indígenas).

A oficina de agosto, resultou uma série de propostas para os próximos anos, voltados para essa temática, entre elas, as discussões em torno de um “acordo ortográfico” das línguas co-oficializadas. Na primeira semana de novembro, o Conselho de Professores, reuniu os “falantes” da língua Yêgatú, em Boa Vista, comunidade que fica na foz do Içana, a três horas de viagem de São Gabriel (para transportes rápidos).

E nesse final de semana (22 a 23/11), foi a vez dos Tukano se reunir na Casa dos Saberes da FOIRN, em São Gabriel para também iniciar uma discussão em torno desse mesmo tema. ” Sempre terá brigas quando o assunto é buscar um acordo, ainda mais, quando se trata de uma grafia de uma língua. Todo mundo acha que como se escreve é a maneira “certa” de se escrever. Por isso, temos que conversar, discutir e buscar consenso” – disse professor Gilvan Muller, mediador da discussão durante a oficina.

Maximiliano Correia completa: ” Estamos buscando uma forma de “escrever” de uma única maneira, o que não significa que vamos pronúniciar a frase da mesma forma. Pois, sabemos que cada trecho do rio, falamos diferente um do outro, apesar de ser a mesma língua”.

E como fica a diversidade línguistíca do Rio Negro, se apenas 3 línguas são (ainda) co-oficializadas? Essa pergunta foi feita no encontro de agosto, e, é uma questão em aberto. O que indica que o tema está voltando a ser o foco das atenções no rio Negro. E que deve ser mesmo. Fiquei sabendo que foi também realizado uma oficina no rio Xié, sobre a grafia da língua Werekena, nesse segundo semestre do ano.

Os Baniwa, já estão projetando também um encontro para próximo ano, no Içana, com essa mesma proposta. Afinal, uma língua escrita, falada é como dizem sempre “é a alma de uma cultura”. E a co-oficialização de uma língua indígena é a âncora de uma transformação social, emprestando as palavras do professor Gilvan.

 

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