De volta à minha origem

 

Na viagem à Ucuqui Cachoeira, tive o privilégio de chegar pertinho da pedra mais importante existente na bacia do Içana (Para nós Baniwa).

Na viagem à Ucuqui Cachoeira, tive o privilégio de chegar pertinho da pedra mais importante existente na bacia do Içana (Para nós Baniwa).

A minha ida pra Ucuqui Cachoeira, alto Aiarí, afluente do Içana, nos dias 17 a 20 de abril deste ano, para participar da cerimônia de inauguração da Casa da Pimenta Manowadzaro, não apenas possibilitou  conhecer um pouco da situação histórica e atual da economia indígena no alto rio Ayari e ouvir das pessoas o significado da Casa  inaugurada e expectativas com o Projeto Pimenta Baniwa, como foi uma das viagem mais importantes que já fiz (espero voltar lá mais vezes, caso apareça outras oportunidades), entre outros motivos, pelo fato de poder conhecer o local que para o povo Baniwa, foi o local onde tudo começou, Wapuí Cachoeira.

Wapuí Cachoeira  hoje é uma comunidade Baniwa, mas, ela é conhecida pela grande cachoeira que fica no local, pedras com desenhos (petroglifos), e guarda a mais importante fase da história Baniwa, a origem. O local é conhecido como “Hekoapi Hiepole” em Baniwa, que seria “Umbigo do Mundo”. Essa não é a única versão de origem da humanidade para os Walimanai, como nós Baniwa, autodenominamos, mas, é a mais aceita e contada comumente pelos clãs (São mais de 8).

Foi lá que (na Cachoeira), os “chefes” dos clãs Baniwa, como Dzawinai, Waliperidakenai, Hohodeni e outros sairam, à fumaça do tabaco dos irmãos Ñapirikoli, Heeri e Dzooli. Nessa viagem de abril, o nível do rio estava “grande” e nessa época não dar pra ver, só quando o rio está seco. De lá, depois que sairam do “buraco de origem”, cada grupo recebeu um território para ocupar. Os Hohodene ficaram com o território do alto Aiarí, os Dzawinai com a região central do Içana (conhecido como médio Içana atualmente), enquanto que os Waliperidakenai ficaram com a região do médio-alto Içana, sobretudo, no igarapé Pamarí (onde fica a escola Pamáali atualmente).

Dois dias em Ucuqui Cachoeira, compartilhando espaço de uma grande maloca com os companheiros de viagem, presenciando danças tradicionais, ouvindo som das flautas sagradas como Juruparí (Kowai) pela madrugada e experimentando o caxirí, fez-me sentir estar no lugar certo. As narrativas que aprendi ao longo desses anos, estavam sendo vividas naqueles momentos.

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