A Pimenta Baniwa é mais que uma pimenta

Mulheres Baniwa na cerimônia de Inauguração da Casa da Pimenta Yamado (Titsiadoa), 23 de abril. Foto: Ray Benjamim

Mulheres Baniwa na cerimônia de Inauguração da Casa da Pimenta Yamado (Titsiadoa), 23 de abril. Foto: Ray Benjamim

Provavelmente, o Iñapirikoli – Deus criador (para os Baniwa) já sabia que os Walimanai (novas gerações/gerações de hoje), algum dia no futuro iriam usar a pimenta não apenas para purificar a comida, ou como alimento que protege o corpo e a alma de espíritos que causam doenças. Desde que foi iniciado o projeto, a Pimenta Baniwa vem sendo um símbolo de luta pelos direitos, reafirmação de identidade do Povo Baniwa, não apenas estes, mas, de todos os povos indígenas do Rio Negro. A Pimenta Baniwa carrega uma história de luta e resistência vem sendo uma “mensagem positiva” dos povos indígenas para o Brasil e para o mundo, de acordo com o André Fernando ou André Baniwa, como é mais conhecido o presidente da OIBI (Organização Indígena da Bacia do Içana).

O Projeto Pimenta Baniwa vem buscando valorizar a diversidade e a territorialidade tradicional dos clãs Baniwa na região do Içana. “A primeira casa inaugurada, está funcionando em Tunuí Cachoeira (Baixo-Médio Içana) no território dos Dzawinai, a segunda, foi inaugurada na comunidade Ucuki Cachoeira, Alto Aiarí no território dos Hohodene, e a terceira na Escola Pamáali no território dos Waliperidakenai, e esta quarta casa vai funcionar aqui em Yamado para os Baniwa que mora na cidade ou próximo a ela”-lembrou Adeilson Lopes, ecólogo do Instituto Socioambiental, que assessora o projeto, e trabalha com os Baniwa do Içana há alguns anos.

André Baniwa, lembrou da importância das parcerias, os apoiadores, os consumidores da Pimenta, especialmente as instituições que apoiam e participam da gestão compartilhada do projeto como a FOIRN, a CABC, o ISA, o ATA entre outros que vão se construindo e consolidando com o tempo, que de acordo o André são importantes para a divulgação do projeto, da luta e da história (e cultura) que esse produto carrega.

Chefes de Cozinha com mulheres Baniwa na inauguração da Casa da Pimenta Yamado. Foto: Ray Benjamim

Chefes de Cozinha com mulheres Baniwa na inauguração da Casa da Pimenta Yamado. Foto: Ray Benjamim

Os Chefs de Cozinha Alex Atala (Restaurante D.O.M de São Paulo), Felipe Schaedler (Restaurante Banzeiro de Manaus) e Bela Gil participaram das duas cerimônia de inauguração.

Em meios as tantas ameaças aos direitos constitucionais dos indígenas no Brasil hoje, a Pimenta Baniwa chega para contribuir com essa luta.

Que a Pimenta Baniwa não apenas nos projeta de espíritos que causam a doença, como também nos proteja dessas ameaças aos nossos direitos.

Saiba mais sobre a Pimenta Baniwa, onde encontrar e receitas aqui.

Projeto Mawako: Encontro de sons para a formação de novas lideranças e valorização cultural

Mobilizando pessoas para contribuir no processo de fortalecimento das comunidades Baniwa, valorização cultural e formação de novas lideranças através da música. “Uma gota de ação neste mar verde”.

Equipe do Projeto Mawako em Assunção do Içana. Foto: Inês

Equipe do Projeto Mawako em Assunção do Içana. Foto: Inês

A idéia de criar um projeto que ajudasse a valorização da cultura pelos jovens indígenas e a formação destes para continuar a luta pela defesa dos direitos, da terra e continuar mantendo viva seu modo de vida, mas, ao mesmo tempo aprendendo novas coisas para fugir das drogas e etc…, nasceu  no curso de Fé e Política (CEFEP (5a turma), do ano de 2014-2015 promovido pela CNBB e PUC­Rio.

Trinho Paiva, professor Baniwa e vereador de São Gabriel da Cachoeira, compartilhou as dificuldades enfrentadas na região do Rio Negro, sobretudo, na região do Içana. Falou também ao grupo do curso, quais principais anseios dos jovens baniwa, e a preocupação dos mais velhos em relação a transmissão de conhecimentos a estes. E como resultado dessa reflexão, chegou-se a uma conclusão, fazer alguma ação que incentive os jovens a valorizar as musicas tradicionais através de instrumentos musicais dos “brancos”. Assim foi criado o Projeto Mawako. (Mawako é um instrumento musical usando comumente pelos povos indígenas do Rio Negro).

Desde então, foi criado um sítio do projeto na internet com objetivo de divulgar o objetivo do projeto e como uma forma de encontrar colaboradores e apoiadores através de doações de instrumentos ou de recursos financeiros.

Entre 14 a 18 de março, aconteceu a primeira viagem à região do Içana. A equipe composta pelo Isaias Fontes (Diretor da FOIRN, parceira do projeto), Trinho Paiva (Coordenador do Projeto), Inês, Luiz Catapan, Irmã Inê e Honeide. E eu acompanhei a equipe para fazer registro.

A primeira etapa do projeto contemplou as comunidades Assunção do Içana e Ucuki Cachoeira, alto Aiarí. A próxima etapa será contemplar outras comunidades da região.

Nas comunidade visitadas (contempladas) a equipe (estudantes do curso), falou da reforma política, um dos temas abordados pelo curso. Após a palestra sobre o tema, os comunitários também falaram da situação em que vivem, de acordo eles, os programas de governo não chegam e clamam para que o poder público municipal faça alguma….”Os políticos só aparecem aqui na época da campanha política para pedir voto, depois da eleição não aparecem mais….prometem e prometem e nunca cumprem”-falou Dário da comunidade Ucuki Cachoeira.

“Não podemos perder a esperança. Vocês precisam lutar pelos seus direitos…por isso que estamos aqui com o projeto Mawako para trazer incentivo aos jovens, pois são eles o presente e o futuro”-falou Luiz Catapan.

Isaias e os demais membros da equipe de viagem, ressaltaram a importância da valorização da cultura, e que o projeto Mawako tem essa proposta, e que o o objetivo maior vai além da música, que o projeto contribua no desenvolvimento social das comunidades e do povo Baniwa.

“Com estes instrumentos os jovens irão animar a comunidade através de grupo de musicas, animar as assembleias das associações e momentos que for necessários. Quem sabe no futuro iremos realizar festivais de musicas na região. A própria comunidade vai fazer a gestão desses equipamentos”-disse Trinho.

Na noite em que chegamos em Ucuki o Trinho passou vídeos de mensagens do bispo Don Edosn, Antonio Manoel de Barros comandante da 2ª Brigada de Infantaria de Selva e do Secretário Municipal de educação de São Gabriel da cachoeira. Estes em suas mensagens declaram apoio a iniciativa e ressaltaram de ações como o projeto Mawako para incentivar os jovens a valorização de suas culturas e o fortalecimento das lideranças e comunidades.

Pessoalmente, foi a segunda vez que fui até Ucuki Cachoeira, depois de quase um ano, mais uma vez tive o privilégio conhecer mais o modo de vida ainda “viva”, como disse o capitão da comunidade Abel Fontes. “Aqui não falamos do resgate da cultura. Estamos vivendo a nossa cultura”-disse ele. Não é em todo lugar que se ouve palavras como a do capitão de Ucuki.

Que o projeto Mawako seja um instrumento que incentive os jovens a continuarem aprendendo com os mais velhos, para que no futuro próximo eles façam o mesmo com os filhos. E que o projeto Mawako se amplie e chegue em várias comunidades no Içana e como também em outros cantos deste imenso rio Negro. Para isso, convido você leitor conhecer o projeto e colaborar. Sua colaboração fará grande diferença e dará bons frutos no futuro.

Moradores da comunidade Ucuki Cachoeira, com flautas tradicionais e instrumentos musicais dos "brancos" em frente a maloca. Foto: Arquivo pessoal

Moradores da comunidade Ucuki Cachoeira, com flautas tradicionais e instrumentos musicais dos “brancos” em frente a maloca. Foto: Arquivo pessoal

Conheça mais o projeto visitando o site do projeto: http://www.projetomawako.teiadecomunidades.com.br/

Em Santa Isabel do Rio Negro, na semana que vem (17/11)

Foto reprodução capa facebook da FOIRN

Foto reprodução capa facebook da FOIRN

A partir da segunda-feira, próxima, 17/11, lideranças de todas as associações indígenas do Rio Negro, representantes das 5 Coordenadorias Regionais da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), vão se reunir em Santa Isabel do Rio Negro, para discutir vários temas de interesse (ver a programação aqui: http://zip.net/bdpZjg).

E estarei lá pra atualizar e compartilhar os principais desdobramentos e encaminhamentos.

Conselho Kaali

Mendzamitsa, 20 a 24 ka agosto, whaa Baniwanai wawakeetakawa Ttonowiriko kaako karo whaa iakottinai kanakaiperi walhio oo kanakaiperi wadeenhika weemakawaliko. 

Wakaitepe wapidzawaaka koadzokeena poadzaka oo waakatsawa wapeedzalhewa linako matsiaka peemaka padzakalerio wakeñoakadzami lhia wawakeetakakawa wapidzawaaka wadeenhikaro. Kadzo ideenhikhettiapani nheette ikadzeekataakakhetti nako tsakha. 

Nakaitepe whema linako lhia ideenhikhetti  nanakodali nhaa wanheekhe wadeenhixoopa nheette weemaxoopa hekoapiali, kadzo kiniki, nheette phiome nhaa linakoapaninaa nheette lideenhikanaa. Kanakaidali walhio wattaitakaro wakhedzakota lhia iwapiñeetakhetti nheette iakotti linakodali lhia kanakaika wamatsiataka weemakawa nheette wadzeneetaka naawa nhaa ianhekhetti nalhio nhaa walimanai. 

Kadzodali ima wakeñoa Conselho Kaali kaakokarodawa whaa phiome nhaa iakotti, wattaitakaro wadeeka lipeedzalhewa lhia ideenhikhetti wapidzawaaka whaa wakoenai.

Kaako tsakha whaa linako attiapani, ideenhikhetti mendzamidalitsa ikeñoa wemakawaliko. Da hore iakokitti. 

Em Barcelos nos dias 14 a 16 de maio.

Benjamim Baniwa, presidente da Associação Indígena de Barcelos- ASIBA.

Benjamim Baniwa, presidente da Associação Indígena de Barcelos- ASIBA.

O Seminário que aconteceu em Barcelos reuniu 50 representantes de 12 comunidades indígenas do município, incluindo professores, pais, alunos e lideranças Baré, Baniwa, Tukano, Caxinawá, Tuyuka, Macuxi, Ticuna e Arapasso, além de integrantes da Coordenadoria das Associações Indígenas do baixo Rio Negro (CAIMBRN), Associação Indígena de Barcelos (Asiba) e Setor de Educação Escolar Indígena da Secretaria Municipal de Educação de Barcelos.

Leia mais sobre o evento aqui

FOIRN 27 anos

Dia 30 de Abril de 2014 – 27 Anos de Lutas e Conquistas da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro – FOIRN.

Diretor Renato da Silva Matos lê a Carta de comemoração de 27 (abaixo) anos durante a cerimônia. Foto: José Miguel Nieto Olivar

Diretor Renato da Silva Matos lê a Carta de comemoração de 27 (abaixo) anos durante a cerimônia. Foto: José Miguel Nieto Olivar

No dia 30 de abril de 1987 o ginásio da Diocese de São Gabriel da Cachoeira foi o palco onde se reuniram mais de 400 lideranças indígenas que vinham desde os anos 1970 se organizando e discutindo os direitos dos povos indígenas da região do Rio Negro. Neste evento que juntou diferentes etnias, povos, línguas, tradições e trajetórias históricas foi fundada a FOIRN. Nessa reunião estavam presentes não somente nossos parentes, mas também autoridades do Estado Brasileiro. Não que a presença de pessoas de contextos diferentes aos nossos fosse novidade. Nós indígenas do Rio Negro temos uma história de resistência à colonização desde a chegada de portugueses e espanhóis e mantemos nossa identidade indígena até hoje. A fundação da FOIRN marca mais uma dessas fases de resistência e foi com os motes de Terra e Cultura que fomos buscar nossos direitos.

A FOIRN foi criada para que nós tenhamos nosso próprio meio de expressão e reivindicação. Aqui nós falamos por nós mesmos, sem intermediários ou atravessadores.

Desde 1987 muitas ações foram concretizadas. Temos hoje Terras Indígenas demarcadas, a educação escolar indígena tem exemplos positivos, as línguas indígenas continuam a ser faladas e, principalmente, hoje mostramos que ser indígena é motivo de orgulho, pois nossa história marca a diversidade, a pluralidade, a ampliação dos conhecimentos e caminha em conjunto com um enorme patrimônio social e natural. Afinal, a história dos povos indígenas do Rio Negro não separa o ser humano do seu ambiente, das águas, das florestas, das montanhas e dos animais. Criamos desta forma riquezas que vão além de cifrões, de números. Nossa riqueza é maior que o PIB, ela é todo esse território de qual o mundo precisa para que seu clima mantenha as condições de vida do ser humano, ela traz concepções filosóficas, mitológicas e ecológicas sobre uma das regiões com a mais rica biodiversidade do mundo, a Floresta Amazônica. Produzimos e conservamos um sistema agrícola de ampla diversidade, resistente a pragas e que não carece de venenos. Temos, portanto, enormes contribuições ao nosso mundo e lutamos para que estas sejam reconhecidas.

Este reconhecimento é o que guia os trabalhos da FOIRN, reconhecimento de que os povos indígenas habitam esta região há milênios e que contribuem enormemente ao nosso país e ao mundo. No entanto, isso somente acontece através de grandes esforços, é por isso que a luta faz parte do nosso cotidiano. Lutamos pois há interesses que prefeririam destruir nossos territórios para dar lucro para quem já está soterrado de dinheiro. Temos que lutar pois somos ameaçados com ideias que menosprezam e querem uniformizar nossos conhecimentos milenares. Lutar porque aqui já queimaram malocas e demonizaram nossos costumes. Lutar pois há incentivos para quem vende cachaça e não para quem cultiva o bem viver na comunidade. Lutar pela nossa cultura e território.

Esta luta tem mais de 27 anos, mas há 27 anos trabalhamos com essa ferramenta garantida pela Constituição Federal de 1988, que é a associação indígena. Aqui na FOIRN propomos e acompanhamos as políticas públicas governamentais. Assim, construímos no dia a dia uma ponte entre a comunidade mais distante e o Estado Brasileiro. Fazemos as reivindicações de nossos parentes ecoarem nos palácios do governo e chegarem a quem pode tomar decisões que garantam nossos direitos.

Apesar de toda esta trajetória nos últimos 27 anos, ainda recebemos críticas sem fundamentos de que as terras indígenas trazem atraso e impedem o progresso. Lembramos para estas críticas que é em nome desse progresso que parentes no Mato Grosso do Sul são mortos por proprietários de grandes fazendas. É este progresso que polui nosso mundo e faz com os que mais ricos fiquem mais ricos e os mais pobres mais pobres. As Terras Indígenas são, ao contrário disso, reais exemplos de progresso. Nelas ainda se encontra ar puro, água, espaço, liberdade e reciprocidade. Nelas se pode viver sem nos submetermos a patrões e donos de negócios que querem só nossa força de trabalho e pagar o mínimo possível para que possam lucrar o máximo.

Convidamos assim vocês para refletirem sobre o nosso mundo de hoje, pensarem como podemos melhorá-lo e que estratégias podemos traçar em conjunto, pois essa história de 27 anos traz uma marca importante dos nossos ancestrais, a coletividade. Nossa instituição sempre foi e continuará de portas abertas para que nossos trabalhos sejam conhecidos, analisados e melhorados.

Assim como não deixamos de sermos indígenas por usarmos novas tecnologias ou falarmos português, não deixaremos que novas táticas de colonização acabem com nossos saberes e práticas milenares. Saibam suas histórias, procurem saber a versão não somente dos dominantes, mas também a versão daqueles que resistem, que lutam para que injustiças não sejam perpetuadas. Uma grande parte dessa história de resistência está aqui, ela é incorporada pela FOIRN, está na nossa maloca, nas nossas lideranças, nas nossas comunidades, roças, em danças de cariçu, em rodas de caxiri e também em nossos livros, arquivos e vídeos. Conheçam esta história.

O parabéns a FOIRN e a todos que contribuíram para sua existência é na verdade um parabéns à diversidade, à pluralidade e à tudo que nossos povos indígenas do Rio Negro representam.

 

Publicado no blog da FOIRN (www.foirn.wordpress.com), em 30 de Abril de 2014.

Em Iauaretê, uma temporada no Rio Waupés

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Em Iauaretê, durante o Seminário de Educação Escolar Indígena, entre os dias 17 a 19 de março.

Uma viagem tranquila e longa. As curvas e praias brancas às margens são os detalhes da paisagem, que além de lindas, as vezes significam perigo ou pedem atenção aos que descem e sobem o rio, que não são poucos, mas, especialmente àqueles que conduzem as encabarcações, os motoristas. Por isso, é sempre melhor, ter alguém que é de lá, e que conhece o “canal” para não ser surpreendidos ao longo da viagem.

Mas, nem todo o trajeto tem praias. Há um trecho já próximo de Iauaretê, que se fosse descrever a paisagem para orientar quem estivesse indo pela primeira vez, diria: “se começar a ver pedrais, é por que você já vai chegar em Iauaretê”.

Na última subida no Waupés, foi até em Taracúa, no final de fevereiro, também para o segundo seminário de educação escolar indígena. Na época, o mapa que tinha em mente sobre Waupés, terminava ali mesmo, informações que tinha sobre além disso era pouco.

Dessa vez, a missão da equipe na qual estava acompanhando era realizar o terceiro seminário de educação em Iauaretê, para reunir informações e ouvir o que as pessoas do alto Waupés e Papurí, como também aquelas que moram nas próximidades do distrito tem a dizer, reclamar, propor para que essa pauta avance, melhore. É aí que entro, para registrar o evento e gravar depoimentos. E ainda, conhecer pessoas, amarrar amizades e parcerias.

Depois de um dia de viagem sem pressa, num domingo (16/03) de muito sol, passamos noite Monte Alegre, que também é conhecido como Matapi. Um por do sol espetacular, com direito à algumas primeiras histórias sobre o local. Com praia de areia fina no porto, um local muito bonito, e bom de se tomar banho. Os botos de lá, são chamados de “aimas”. Vou explicar. Há algum tempo no rio Negro, foi criada a categoria de jovens indígenas pesquisadores conhecidos de Agentes Indígenas de Manejo Ambiental (aimas) pelo Instituto Socioambiental, FOIRN em parcerias com algumas escolas indígenas, com a proposta de estudar e desenvolver pesquisas sobre o uso de recursos naturais usados pelas comunidades, com o objetivo de acompanhar e propor boas práticas de manejo, ou, em outras palavras “cuidar” dos recursos.

O Leôncio, coordenador da COITUA, conta que todas vez que alguém coloca uma malhadeira (rede de pesca), os botos vão lá, acabar com a rede, no sentido, de furar e não “deixar que as pessoas coloquem essa armadilha lá”, por isso, esses botos receberam esse nome pelas pessoas de lá. Outro detalhe curioso, Monte Alegre é igual a qualquer uma comunidade rionegrina, menos por um detalhe: não tem cachorro. Por quê? O Leôncio responde: a comunidade um dia se reuniu para tratar de um assunto que consideraram importante: não ter mais cachorro na comunidade, e foi decidido.

Depois de uma noite fria e silênciosa, com direito ao cantos de pássados noturnos, depois do mingaú, continuamos a viagem. Era uma segunda-feira. Saimos cedo com a intencão de chegar mais cedo em Iauaretê. Passamos foz do Tiquié e logo depois, Taracúa, palco do ultimo encontro realizado. De longe, avistamos uma placa azul que  aparece pela metade “comido” pelo pasto. O primeiro sinal de uma obra do governo abandonada. Um pequeno sinal do que viria, seria visto, depois, da pequena comunidade conhecida de “Ipanoré”. É o projeto “Melhorias para a Estrada de Ipanoré”, com um custo de quase 10,5 milhões. Uma obra que teve início ainda em 2013, e seria entregue no início daquele mês (março). Porém, uma surpresa. A Estrada estava longe de ser concluída. Conto isso, mais na frente.

Mas, antes de encararmos a ladeira, e a altura do caminhão velho, resolvemos mergulhar no tempo. Fomos conhecer a cachoeira de Ipanoré, um dos locais sagrados e comumente citado nas narrativas de origem das etnias da família linguistica Tukano e Maku. No nível que a água estava, não deu para chegar mais próximo do “buraco de origem/imersão”. De acordo, com nosso motorista, tentar ir lá, é arriscar. E, é claro, ninguém queria arriscar. Ficamos de longe, mas, ouvi muita história sobre o local. Umas ligadas à origem da humanidade e outras, histórias relacionadas, a tragédias e mortes.

“Um dos esteios que sustenta a humanidade” 

Higino Tuyuka, 59 anos, um dos companheiros de viagem conta que a Cachoeira de Ipanoré. é um dos pilares que sustenta a humanidade para os povos indígenas, especialmente nas narrativas das famílias línguísticas Tukano e Mako.

Higino Tuyuka, 59 anos, um dos companheiros de viagem conta que a Cachoeira de Ipanoré. é um dos pilares que sustenta a humanidade para os povos indígenas, especialmente nas narrativas das famílias línguísticas Tukano e Makú.

O Higino, conhecedor Tuyuka, companheiro de viagem, disse, que desde os tempos antigos, muitas pessoas morreram e até de casos mais recentes. Há aproxidamente 500 metros de onde estávamos, de acordo o Higino, fica o grande “buraco”, uma grande “panelona”diz ele, que é único meio de passar e seguir a viagem. Os viajantes precisam esperar o tempo certo para passar, por que se “errar o tempo” já era – diz Higino. E ainda tem a parte mais curiosa, os mais velhos ou os benzedores, até mesmo os que “sairam de lá com vida” relatam que quando entra no buraco, é uma viagem em questão de segundo dentro de um túnel, para sair até nas proximidades de Ipanoré, que fica há mais ou menos 1km de lá na “boca do buraco”. De acordo com essas pessoas, dizem que eles passam dentro de uma “grande maloca” onde se vê muitas redes atadas, para sair de lá vivo é preciso tentar não “encostar” em nada. Mas, de todos que já entraram ou foram “engolidos” pelo buraco, poucos conseguiram sair com vida e contaram essa história. Mas, nada se sabe, como passou a ser a vida deles depois disso.

Outro detalhe curioso, é que acima da dessa grande cachoeira, não se vê mais boto. As narrativas dão a resposta. De acordo com os conhecedores, existem apenas dois “bucaros” umas espécies de túneis. Uma das piranhas e outras de peixes como aracú e outros. Alguém deve pensar, mas, por que ele passa nesses túneis? Até que daria para ele ir ou tentar. Mas, não é por falta de tentativas. É por que, quem fica de vigia na saída, é uma piranha enorme, do tamanho de uma “peneira”. Aí, o segredo. Quando tenta, é espedaçado em segundos. Depois de ouvir essa narrativa, se fosse boto, eu não arriscaria.

Depois, disso, voltar para à encarar Estrada, é como emergir de novo depois de um mergulho que fez você ir ao limite a imaginação. Agora, é encarar a parte mais complicada da viagem: a estrada de Ipanoré.

Uma obra iniciada, mas, não acabada..: “Filma isso e coloca no site!”.

Placa da "Obra de Melhorias da Estrada de Ipanoré" do governo do estado com valor de 10.433, 765, 25, que deveria ter sido entregue no início de março, até naquele dia (17/03), ainda não tinha chegado até a metade, e pior, a obra estava abandonada.

Placa da “Obra de Melhorias da Estrada de Ipanoré” do governo do estado com valor de 10.433, 765, 25, que deveria ter sido entregue no início de março, até naquele dia (17/03), ainda não tinha chegado até a metade, e pior, a obra estava abandonada.

“Aqui se quiser ajuda dos outros, você tem que ajudar” diz motorista do caminhão a alguns jovens que estavam ali sentados, enquanto um senhor estava tentando descer o bote do caminhão velho. Madruga, como é conhecido por todos, é o motorista do caminhão, o único meio de passar o trecho do Waupés Ipanoré-Urubuquara, um trajeto quase intransponível.

Com idade já na casa dos 50, ele carrega canoas (até médias) e voadeiras todos os dias, de Ipanoré à Urubuquara e vice-versa. E ele diz “Não sei aonde encontro tanta disposição assim. Mas, o corpo recla depois, a noite, quando caio na rede, não me mexo mais”. É um dos que reclamam da “incompetência” e do “desvio do recurso público”, palavras que ele usa, para chamar a situação em que se encontra a construção da estrada. Estava tirando fotos da estrada, e ele viu e me falou: “filma isso aqui e bota no site, alguém precisa cutucar alguém, é disperdício de dinheiro público, alguém está passeando com esse dinheiro, enquanto aqui o povo está sofrendo”.

Enfim, depois de aproximadamente 14 minutos, com nossas duas voadeira em cima do caminhão, descemos em Urubuquara. Ao longo da corrida, é possível ver o quanto ainda precisa ser feito para a obra ser concluida, e pior, muitas sacas de cimento estragadas ao longo da estrada. No caminho, um susto. Muitos sentiram a sensação de o “coração sair pela boca”, estourou um pneu do caminhão.

“Daqui até o destino são aproximadamente três horas” diz Ivo, para animar a turma. Mas, precisávamos comer, já tinha passado meio dia até aí. Fomos comprar peixe à uma comunidade chamada Pinu-pinu, que fica atras de uma ilha, atrás de Urubuquara. De lá, a gente tem a sensação de que o chão treme só por ouvir som da cachoeira. Não poderia perder a chance de conhecer aquele local, subi junto com Higino e Ivo. E lá, me perguntaram se aceitava uma “cuiada” de vinha de pupunha. E quem não aceitaria? Queria experimentar. Humm, demais. Muito bom. Mas, tinhamos que descer e continuar a viagem, por que, ainda tinha muito “chão” pra correr.

Deitei depois de algum tempo sentado, e dormí. Uma chuva forte, me fez acordar. Alguns minutos depois, começamos a passar vários pedrais e canoas subindo. Já estávamos chegando. Em meio à chuva, a vistamos de longe a igreja. “É Iauaretê! – disse um menino que estava de carona com a gente desde Ipanoré. Ainda se chegarmos ao porto, fomos “parados” pelo posto do exército, um militar de capuz preto desceu às pressas até a beira e grito: “tem algum estrangeiro aí?!”. Como não tinha, ele “liberou” a gente, para continuar a viagem.

E chegamos. No porto, Esmeraldo da COIDI e mais algumas pessoas estam nos esperando. E, fomos levados à sede da Coordenadoria, que é um antigo hospital dos salesianos, recentemente doado a eles. A tal da “Santa Casa”. Onde vamos ficar nos próximos dias, enquanto estivermos lá.

No dia seguinte, umas oito da manhã, iniciou-se o seminário. O legal desses seminários, é que a forma como é conduzida, os professores, os gestores, os estudantes, pais de alunos, colocam na mesa os problemas, as necessidades que enfrentam em relação a educação escolar. É falta de material escolar, falta de estrutura, contração de professores e etc…E melhor nisso, é, tudo na lingual. No caso, de Iauaretê, lingual Tukano. Por isso, aos que não são de lá, ou que não entendem, ficam “boiando” o evento tudo. Mas, tradutores não falta. Por isso, a única forma de me situar e acompanhar o andamento dos trabalhos, foi arrumar um tradutor.

Ao longo dos intervalos, procurei conhecer e saber mais sobre, a “cidade de indio”, como Iauaretê é também conhecido, devido, ao grande número de pessoas que compartilham aquele espaço. São pelo menos 4 mil pessoas na sede, e 3 mil nas comunidades próximas. Um local que está entre uma grande comunidade à cidade. Iauaretê reúne pessoas de vários lugares e de etnias diversos, o que faz dele, um povoado multiétnico.

Além de ter pequenos comercios, tem pelotão de exército, hospital, correios e entre esses a missão salesiana, mas, o que reúne jovens dos mais diversos lugares é a escola estadual São Miguel. Uma das mais antigas escolas da região do Rio Negro, foi a primeira a ofertar o ensino médio na região. No discurso de apresentação do que foi e o que é hoje, o atual Diretor disse: “a nossa escola foi pensada pelos missionários, mas, ela foi um espaço importante de formação na região, o que permitiu que chegássemos onde estamos hoje, apesar de ela ter objetivos inicialmente de acabar com as nossas culturas. Hoje, estamos mudando essa realidade e esses objetivos”.

Caminhar nas ruas de Iauretê, é “tropeçar”com a própria história local. Do bairro tradicional São Miguel, dos Tarianos ào bairros mais recentes. As ruínas do antigo internato, mostra as marcas deixadas pelo auge da atuação dos salesianos.

“São Gabriel dos meus sonhos es formosa…”.

 

Dona Terezinha de Jesus Cardoso, a autora da poesia que se tornou o hino do município. Hoje aos 62 anos.

Dona Terezinha de Jesus Cardoso, a autora da poesia que se tornou o hino do município. Hoje aos 62 anos.

Bem ali, próximo do porto fica um pequeno comercio, é do Sr. Floriano e da Dona Terezinha Cardoso. O que faz, dos dois, e principalmente a Dona Terezinha, mergulhar todos os dias nas águas pretas do Waupés. Mas, o que ela tem de  especial assim afinal? É mais que isso, há 42 anos atrás, ná época ainda aos 20 anos, na 8a série, no Colégio São Gabriel da Cachoeira, ela participou de um concurso de poesia. E  nesse concurso ela ficou em primeiro lugar. Mas, o que ela não sabia, é que aquela poesia um ano depois, em 1972, se tornaria o hino de São Gabriel. “Não sabia que a minha poesia seria selecionada para ser o hino do município”- lembra.  E eu, como tantos outros meninos e meninas na época da escola (ensino fundamental), aprendi a cantar esse hino. Só nunca imaginei que um dia iria me encontrar  e conversar com a autora desse hino. E ainda mais, contar a história (um pouquinho) pro mundo.  Hoje, aos 62 anos,  divide seu tempo para ajudar o marido no comércio, e de vez em quando, ir para roça, fazer farinha e tapioca. Olha, que ganhei um kilo com a dona Terezinha.

Lá, nos horários de intervalo do evento, conheci professores e alguns jovens que não perde nenhum intervalo sem se conectar ao mundo virtual. É facebook e WhatsApp. E nesses intervalos, também aproveito para “coletar” depoimentos desses jovens e alguns participantes sobre o seminário. As entrevistas com alguns desses jovens foi bastante divertido, muitos “curta aê”, o termo usado para falar “pausa de gravação”.

Fiz um video de 10 mim do seminário para exibir ao final do evento, e foi muito bom, todo mundo gostou. Mas, disse a eles, que o video completo seria concluído em São Gabriel da Cachoeira. Muitos em suas falas, mostraram a importância desses tipos de eventos, pois, muitos deles, estão começando a participar desse movimento, por isso, todos eles afirmaram que “aprenderam muito durante o seminário”. O que mostra que os própositos dos eventos realizados, estão alcançando seus objetivos, que além de promover a discussão, leva também informação e conhecimento aos participantes, e em especial aos que estão começando a fazer parte da discussão e do debate sobre o tema.

Os dias em Iauaretê estavam chegando ao final. Mas, sair de lá sem conhecer de perto as pedras e ouvi as histórias sobre a Cachoeira das Onças não seria bom. Por isso, ficamos mais um dia para fazer isso. Ir até Aduana, um povoado que fica ao lado oposto de Iauaretê, à margem esquerda da foz Papurí. Do lado Colômbiano. E ver de perto os desenhos nas pedras, os petroglifos.

Sábado, 22/03, chega ao final, a temporada em Iauaretê. É hora de descer para São Gabriel da Cachoeira, encarar na volta a estrada de Ipanoré, e depois de lá é abrir meu livro de viagem: “Não posso me apaixonar” e cair na “estrada”, que são apenas mais seis horas de viagem. Cada viagem, sempre é uma aventura, de  muitas aprendizagens e descobertas.

 

Vozes do Rio Negro: Todos contra PEC 215, já Brasil!!!

Vozes do Rio Negro: Do Noroeste da Amazônia tríplice fronteira Brasil-Colômbia-Venezuela para o mundo sobre a luta dos povos indígenas no Brasil

Todos contra PEC 215, já Brasil!!!

 

Verás que um filho teu não foge à luta (Hino Nacional Brasileiro)

Estamos juntos em uma data, 7/02/2014, seguindo o calendário oficial da República Federativa do Brasil e conseqüentemente sua noção de tempo que nos fora imposta. Tal noção nós já dominamos e incorporamos ao nosso jeito, sem desrespeito à norma. Inclusive travamos momentos de diálogos, negociações e acordos com instâncias reconhecidas na nossa democracia. Hoje seria um dia de comemoração de acordo com o diário Oficial. No entanto, vemos mais um dia se passar, afinal já são quase 190.000 mil dias desde 1500, sem com que o ataque aos povos indígenas cesse.

Nem todos os brasileiros sabem o que aconteceu e o que está acontecendo com os povos indígenas de direito originário no Brasil do passado, no Brasil de hoje e de futuro. Eis aqui vamos contar para você entender a questão.

No passado fomos 5 a 6 milhões de pessoas, mais de 1.000 línguas e etnias diferentes. Para onde foram estes milhões de pessoas? Saíram para invadir outras terras em outros países? Os que chegaram aqui há bem pouco, já alcançam mais de 190 milhões de pessoas em apenas 5 séculos. E em apenas 5 séculos os povos nativos que aqui habitavam este lugar há milênios, foram reduzidos a menos da metade de um milhão. E as sua terras foram tomadas por completo através de um certo Estado Nacional inventado para dominar povos nativos na face da terra pelos poderoso-invasores. Ai de quem inventou isto na face da terra, por que através dele mataram muita gente, e um certo Deus está cobrando deles explicação sobre isso . E eles mesmos diziam que matar pessoas, seres humanos, era pecado, daí certo que hoje devem estar comemorando resultado de suas ações nas profundezas do inverno criado por eles para eles mesmos que é a pior condenação criada pelo criador para desobedientes.

Quase 2000 anos depois de Cristo, portanto depois de dois milênios, os povos indígenas garantiram seus direitos dentro do Estado Nacional Brasileiro; que em menos de 20 anos depois de 1988, os ruralistas, antigos latifundiários, hoje diretamente através do Estado Nacional Brasileiro no Congresso Nacional se valem para tentar rasgar os princípios da Constituição Brasileira através de emendas constitucionais com argumentos discriminatórios para vergonha nacional de forma cruel; nada estranho porque estão apenas seguindo conselhos de seus pais, avôs, da sua linhagem, de seus costumes que está há cada ano mais perto de acabar com o mundo suas ações resultaram no que é a mudança climática que não terá pena de ninguém, por mais que os ricos tentam construir suas moradas em outros planetas; mas a idade chegará neles e não sabem que não escaparão da morte que os levará ao encontro de seus ancestrais lá no inferno.

É o máximo que desejamos de felicidade para os ruralistas e a outros seus apoiadores e seguidores porque não temos força suficiente para fazer esta terra ter mais longevidade, para que as futuras gerações no planeta-terra pudessem usufruir tempos e mais tempos como viviam nossos antepassados há milênios atrás. Parece que sobre tudo, o que está acontecendo com os povos indígenas no Brasil de hoje tem aval da sociedade Brasileira ou do mundo como todo? Será finalmente o nosso fim tanto desejado pelos inimigos dos povos indígenas no Brasil? Mas não será isso o fim do próprio Brasil que anseia tanto a riqueza, o crescimento, o poder de consumo em uma ansiedade que não deixa as pessoas dormir direito todos os dias preocupados para não serem roubadas as suas riquezas? Será que não sabem que estão perdendo todos os dias as suas riquezas de tranqüilidade de serem apenas humanos e cuidarem da terra de fato? E que sua missão é de cuidá-la e não destruí-la? De manejá-la e não desmatá-la? De enriquecê-la e não empobrecê-la?

A história desta terra Brasil não condiz com princípios humanos para com os povos indígenas. Os povos indígenas não têm propriedade e título de terras. As Terras Indígenas são terras da União, são patrimônios da União dentro de política de ordenamento territorial. Ao contrário dos nossos antigos inimigos “latifundiários” hoje com a nova cara, cara refeita certamente com cirurgias plásticas que os maquiaram de “Ruralistas” que possuem 60% de Terras do Brasil como propriedade e parece que querem ter o Brasil inteiro como sua propriedade. Isso não é contra princípio de um Estado Nacional? Foi para isso que conseguiram chegar ao Congresso Nacional? Para mudar todos os direitos das minorias deste país e depois entre si distribuir mais Terras somente em nome de riqueza que destrói a própria terra no mundo?

Serão estas pessoas humanas, restos dos restos humanos no sentido de que são descendentes dos que vieram como bandidos para esta terra que estão destruindo todos os dias e de todas as formas? Será que não se preocupam com sua futura geração? Será que seus filhos não param para pensar e ver o que seus pais estão fazendo é uma crueldade contra seres humanos? Será que não carregam mais cruz no seu peito para lembrar que não são imortais?

Lembramos que 12% das Terras Indígenas são Terras da União, são Terras-patrimônios da União. E que isso é muito pouco que se conquistou depois de muita luta, muitas mortes de vida, depois de tantas perdas de terras originarias e que deve ter rigorosa proteção; que a União tem o dever de se fazer respeitar. Isto se este país ainda for democrático e de direito. Será?

Lembramos também que os 60% de Terras como propriedade e títulos que os Ruralistas têm das Terras Brasileiras, já significa uma ameaça a sociedade Brasileira. É uma ameaça interna que o Brasil não enxerga ou que se faz de cego por causa de interesses particulares que acabam desviando funções pública, governamentais e da coletividade. Uma grande maioria ainda nesta terra não tem espaço para construir uma pequena casa para descansar sua cabeça depois de longas datas de luta no dia-a-dia do trabalho.

Os chamados ruralistas, antigos latifundiários hoje não passam de uma “peste” que além de estarem em campos, destruindo a floresta, a terra, os rios, lagos, nascentes, estão nos partidos, também nos governos, no congresso, no judiciário, compram direitos, destroem direitos, atacam sem pena aos direitos especiais e das minorias da sociedade Brasileira. E o Governo Federal parece concordar com todo. Ainda existirá Justiça no Brasil dos latifundiários, ou melhor, dos “Ruralistas” para toda sociedade Brasileira?

Os povos indígenas são acusados falsamente década a década de internacionalizar a Amazônia, mas na verdade são Ruralistas que internacionalizam os direitos de alimentação, porque eles não alimentam a população brasileira, eles alimentam outros países com exportação e mais exportação, não se sabe ainda porque não se exportaram que seria melhor para o Brasil; são eles quem tornam as terras brasileiras em particulares. Quando conseguirem transformar tudo em seu benefício, ai o Brasil não será mais um país democrático e de direito.

Os povos indígenas já sofreram bastante, muito e muito, perderam muitas outras etnias na luta pela vida, já perdemos toda nossa terra, e pouco que reconquistamos dentro da própria Constituição, querem retomar o que só temos para nosso usufruto exclusivo, sendo ela mesma no Estado Nacional Brasileiro. Já tiraram de nós todas nossas terras, e já nos causaram desmatamento de nossas florestas, e desmatamento cultural, destruição da natureza, o que mais? E ainda querem mais e mais? Por isso o Brasil não pode aceitar quaisquer medidas legislativas e administrativas que afete negativamente os nossos direitos. Todos contra PEC 215, já Brasil!!!

Queremos nós representantes dos Povos Indígenas do Rio Negro reafirmar nosso compromisso e dever de manter aceso e permanente a luta e que não vai parar; que a luta pela vida continua pelos povos indígenas; que a luta para longevidade da terra continua para todos os filhos da terra, inclusive para os filhos dos nossos inimigos que querem acabar com nossos direitos que restou. Pois ainda mantemos vivo nosso ser de humanidade, nossa herança mais importante deixada pelos nossos ancestrais para com a vida na terra.

VIVA O DIA NACIONAL DA LUTA DOS POVOS INDÍGENAS!!!

Todos contra PEC 215, já Brasil!!!

São Gabriel da Cachoeira, 07 de Fevereiro de 2014.

Assina os povos indígenas do Rio Negro

Arapaso, Bará, Barasana, Desana, Karapanã, Kotiria (Wanana ou Uanano), Kubeo, Letuana, Makuna, Miriti-tapuya, Pira-tapuya, Pisa-mira, Siriano, Taiwano (Eduria), Tanimuka, Tatuyo, Tukano, Tuyuka, Yuriti; Baniwa, Baré, Kuripako, Tariana, Werekena; Daw, Hupda, Nadöb, Yuhupde, Nukak, Kakwa; Yanomami;

Publicado oficialmente no blog da Foirn: foirn.wordpress.com