Projeto Mawako: Encontro de sons para a formação de novas lideranças e valorização cultural

Mobilizando pessoas para contribuir no processo de fortalecimento das comunidades Baniwa, valorização cultural e formação de novas lideranças através da música. “Uma gota de ação neste mar verde”.

Equipe do Projeto Mawako em Assunção do Içana. Foto: Inês

Equipe do Projeto Mawako em Assunção do Içana. Foto: Inês

A idéia de criar um projeto que ajudasse a valorização da cultura pelos jovens indígenas e a formação destes para continuar a luta pela defesa dos direitos, da terra e continuar mantendo viva seu modo de vida, mas, ao mesmo tempo aprendendo novas coisas para fugir das drogas e etc…, nasceu  no curso de Fé e Política (CEFEP (5a turma), do ano de 2014-2015 promovido pela CNBB e PUC­Rio.

Trinho Paiva, professor Baniwa e vereador de São Gabriel da Cachoeira, compartilhou as dificuldades enfrentadas na região do Rio Negro, sobretudo, na região do Içana. Falou também ao grupo do curso, quais principais anseios dos jovens baniwa, e a preocupação dos mais velhos em relação a transmissão de conhecimentos a estes. E como resultado dessa reflexão, chegou-se a uma conclusão, fazer alguma ação que incentive os jovens a valorizar as musicas tradicionais através de instrumentos musicais dos “brancos”. Assim foi criado o Projeto Mawako. (Mawako é um instrumento musical usando comumente pelos povos indígenas do Rio Negro).

Desde então, foi criado um sítio do projeto na internet com objetivo de divulgar o objetivo do projeto e como uma forma de encontrar colaboradores e apoiadores através de doações de instrumentos ou de recursos financeiros.

Entre 14 a 18 de março, aconteceu a primeira viagem à região do Içana. A equipe composta pelo Isaias Fontes (Diretor da FOIRN, parceira do projeto), Trinho Paiva (Coordenador do Projeto), Inês, Luiz Catapan, Irmã Inê e Honeide. E eu acompanhei a equipe para fazer registro.

A primeira etapa do projeto contemplou as comunidades Assunção do Içana e Ucuki Cachoeira, alto Aiarí. A próxima etapa será contemplar outras comunidades da região.

Nas comunidade visitadas (contempladas) a equipe (estudantes do curso), falou da reforma política, um dos temas abordados pelo curso. Após a palestra sobre o tema, os comunitários também falaram da situação em que vivem, de acordo eles, os programas de governo não chegam e clamam para que o poder público municipal faça alguma….”Os políticos só aparecem aqui na época da campanha política para pedir voto, depois da eleição não aparecem mais….prometem e prometem e nunca cumprem”-falou Dário da comunidade Ucuki Cachoeira.

“Não podemos perder a esperança. Vocês precisam lutar pelos seus direitos…por isso que estamos aqui com o projeto Mawako para trazer incentivo aos jovens, pois são eles o presente e o futuro”-falou Luiz Catapan.

Isaias e os demais membros da equipe de viagem, ressaltaram a importância da valorização da cultura, e que o projeto Mawako tem essa proposta, e que o o objetivo maior vai além da música, que o projeto contribua no desenvolvimento social das comunidades e do povo Baniwa.

“Com estes instrumentos os jovens irão animar a comunidade através de grupo de musicas, animar as assembleias das associações e momentos que for necessários. Quem sabe no futuro iremos realizar festivais de musicas na região. A própria comunidade vai fazer a gestão desses equipamentos”-disse Trinho.

Na noite em que chegamos em Ucuki o Trinho passou vídeos de mensagens do bispo Don Edosn, Antonio Manoel de Barros comandante da 2ª Brigada de Infantaria de Selva e do Secretário Municipal de educação de São Gabriel da cachoeira. Estes em suas mensagens declaram apoio a iniciativa e ressaltaram de ações como o projeto Mawako para incentivar os jovens a valorização de suas culturas e o fortalecimento das lideranças e comunidades.

Pessoalmente, foi a segunda vez que fui até Ucuki Cachoeira, depois de quase um ano, mais uma vez tive o privilégio conhecer mais o modo de vida ainda “viva”, como disse o capitão da comunidade Abel Fontes. “Aqui não falamos do resgate da cultura. Estamos vivendo a nossa cultura”-disse ele. Não é em todo lugar que se ouve palavras como a do capitão de Ucuki.

Que o projeto Mawako seja um instrumento que incentive os jovens a continuarem aprendendo com os mais velhos, para que no futuro próximo eles façam o mesmo com os filhos. E que o projeto Mawako se amplie e chegue em várias comunidades no Içana e como também em outros cantos deste imenso rio Negro. Para isso, convido você leitor conhecer o projeto e colaborar. Sua colaboração fará grande diferença e dará bons frutos no futuro.

Moradores da comunidade Ucuki Cachoeira, com flautas tradicionais e instrumentos musicais dos "brancos" em frente a maloca. Foto: Arquivo pessoal

Moradores da comunidade Ucuki Cachoeira, com flautas tradicionais e instrumentos musicais dos “brancos” em frente a maloca. Foto: Arquivo pessoal

Conheça mais o projeto visitando o site do projeto: http://www.projetomawako.teiadecomunidades.com.br/

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De volta à minha origem

 

Na viagem à Ucuqui Cachoeira, tive o privilégio de chegar pertinho da pedra mais importante existente na bacia do Içana (Para nós Baniwa).

Na viagem à Ucuqui Cachoeira, tive o privilégio de chegar pertinho da pedra mais importante existente na bacia do Içana (Para nós Baniwa).

A minha ida pra Ucuqui Cachoeira, alto Aiarí, afluente do Içana, nos dias 17 a 20 de abril deste ano, para participar da cerimônia de inauguração da Casa da Pimenta Manowadzaro, não apenas possibilitou  conhecer um pouco da situação histórica e atual da economia indígena no alto rio Ayari e ouvir das pessoas o significado da Casa  inaugurada e expectativas com o Projeto Pimenta Baniwa, como foi uma das viagem mais importantes que já fiz (espero voltar lá mais vezes, caso apareça outras oportunidades), entre outros motivos, pelo fato de poder conhecer o local que para o povo Baniwa, foi o local onde tudo começou, Wapuí Cachoeira.

Wapuí Cachoeira  hoje é uma comunidade Baniwa, mas, ela é conhecida pela grande cachoeira que fica no local, pedras com desenhos (petroglifos), e guarda a mais importante fase da história Baniwa, a origem. O local é conhecido como “Hekoapi Hiepole” em Baniwa, que seria “Umbigo do Mundo”. Essa não é a única versão de origem da humanidade para os Walimanai, como nós Baniwa, autodenominamos, mas, é a mais aceita e contada comumente pelos clãs (São mais de 8).

Foi lá que (na Cachoeira), os “chefes” dos clãs Baniwa, como Dzawinai, Waliperidakenai, Hohodeni e outros sairam, à fumaça do tabaco dos irmãos Ñapirikoli, Heeri e Dzooli. Nessa viagem de abril, o nível do rio estava “grande” e nessa época não dar pra ver, só quando o rio está seco. De lá, depois que sairam do “buraco de origem”, cada grupo recebeu um território para ocupar. Os Hohodene ficaram com o território do alto Aiarí, os Dzawinai com a região central do Içana (conhecido como médio Içana atualmente), enquanto que os Waliperidakenai ficaram com a região do médio-alto Içana, sobretudo, no igarapé Pamarí (onde fica a escola Pamáali atualmente).

Dois dias em Ucuqui Cachoeira, compartilhando espaço de uma grande maloca com os companheiros de viagem, presenciando danças tradicionais, ouvindo som das flautas sagradas como Juruparí (Kowai) pela madrugada e experimentando o caxirí, fez-me sentir estar no lugar certo. As narrativas que aprendi ao longo desses anos, estavam sendo vividas naqueles momentos.

Matsiakaro phatsamitha weemaka wadzakalenairiko

ImagemLirikoda mhitshaka lhieka idzeenaliwa (05-07/12), nawakeetakawa nhaa kaakonadalipe ayaha Hiipanako, kaakokaro nhaa nanako nhaa kanakaiperi pamatsiataka ideenhikhettika oo nhaatsakha nhaa kanakaiperittoa padeenhika, wattaitakaro mitha watsa weemaka matsiaphatsa wadzakalenairiko.Hoore yakotti, iwapineetakhetti, nheette ideenhikhetti kanakaiperi padeenhika, metsa karoka mherapittinakatsa ni.

Waanheenina oophittetsa lhie naamaka nawadzakeetaka whaa oo maatshika naako nheette nadeenhika wakhoette nhaa wanheri yalanawinai. Metsa, neenikatsakhaa nhaa yomakape oo ikitsindataka whaa, Nhaa wakitsienatsa nakhoette nhaa wheponda, ideenhiri phiome nhetakaro waadza wahipaite weemali neeni. Ikatsa pada yakotti khedzakoli kanakai wakaitepeka walhiowaaka pandza whaa wakoenai, imas, pawalipe, nhaatsa nhaa wakitsienatsa, pakoaka nawapineetaka naapidza nhaa yalanawinai oo nawadaka matsiakalika lhia nhemali nheette nakapali tsakha. Katsa pada matshidalikatsa yakottika pandza.

Irawadatti (dzanakaa), katsa padakatsakha imatshikakada weemaka pandza ayaha weemakaliko. Padatsa kaakoli nhaa inako lirikoda neeniri mendzamitsa. Hore kanhetsa pida nadeeka irawadatti wadzakalenairiko nhaa padapenaa wakitsienapetsa, koamekatsa nhaa yalanawinai (Colombianonai). Okayalirikolhe pida horekanheetsa nadeeka lhiapepe. Pandza pida Dzawhipani, karotha pida nakadaa navenderi neeni, metsa peemhette pida neenika ni. Kadzodali ima pida, manopena nainoakakawa oo maliomekanhaa kadzodali ikhette.

Daa..hore mikanheetsa kanakaiperi pamatsiataka weemakawaliko. Oopina naroita wapidzawa nhaa kanakaiperi Iniali irhio, pandza kanakai watsa waaka naphontte, ima wawapakadaatsa watsa, kadzo oopidzotsa, karowatsa koaka wadeenhiri. Phada pianhe tsiali.

Voltando aos poucos a blogar.

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Depois de tirar uma “folga” das minhas redes, estou aos poucos voltando. E no final dessa semana (25/08), participei do Encontro de Jovens Indígenas Baré, Werekena e Baniwa na comunidade de Boa Vista/Foz do Içana. O encontro foi realizado pelo Departamento de Adolescentes e Jovens Indígenas da FOIRN.

Representando o Setor de Comunicação (FOIRN), falei sobre a presença de novas tecnologias nas comunidades indígenas, e na influencia destes na vida dos jovens. Falei também da importância das redes sociais como ferramenta de comunicação e do exercício de cidadania.

Para ler a matéria que escreví sobre o encontro, acesse: http://foirn.wordpress.com/2013/08/28/mobilizacao-reuniu-jovens-indigenas-baniwa-bare-e-werekena-em-boa-vista-foz-do-icana-nos-dias-24-a-25-de-agosto/

 

 

Encontro Baniwa e Coripaco aconteceu na comunidade de Castelo Branco, Médio Içana

Grupos de trabalhos apresentam resultados de discussões durante o Encontro Baniwa e Coripaco (foto: Daniel Benjamim)

Encontro Baniwa e Coripaco reuniu mais de 20 comunidades Baniwa e Coripaco para discutir “Direitos e Desenvolvimento Sustentável das Comunidades” nos dias 27 a 30 de março em Castelo Branco, médio Içana.

O evento

A comunidade Castelo Branco fica localizado no médio Içana, com mais de 20 famílias e onde funciona a Escola Paraattana desde 2006. Comunidade super bem organizada com estrutura e acolhedora, mas, que nunca sediou um evento do Movimento Indígena, esse foi um dos motivos que fez ser escolhida para sediar a realização do Encontro Baniwa e Coripaco, com o lema “Direitos e Desenvolvimento Sustentável das Comunidades”, nos dias 27 a 30 de março, pela Coordenadoria das Associações Baniwa e Coripaco – CABC.

O encontro reuniu representantes de comunidades de toda a região do Içana, desde a foz, Alto Içana e afluentes Cuyarí e Ayarí. Compareceram no evento professores, alunos, lideranças das associações, representantes de instituições governamentais como SEIND, FUNAI-SGC e parceiros como o Instituto Socioambiental – ISA.

Durante os 4 dias de evento foram trabalhados os seguintes temas: Educação, Sustentabilidade/Saúde, Cultura e Identidade, Economia, Política e Gestão Territorial.  Os participantes foram organizados por temáticas e coordenados por duas pessoas indicados pela coordenação do evento. Ao final do segundo dia foram feitas apresentadas os resultados por cada grupo de trabalho. As propostas apresentadas pelos grupos foram debatidas pela assembléia.

Durante as noites foram feitas palestras temáticas por convidados especiais e em alguns momentos exibidos dois documentários: “Podali”- Documentários sobre música Baniwa e Casamento Baniwa (antigamente)/ dos Estudantes do Curso de Licenciatura Intercultural da UFAM.

Escola Pamáali participa e lança Kaawhiperi Yoodzawaaka

A Escola Pamáali representado por mim, professor Abraão Mendes e mais três alunos no evento. Lançou o livro 1 da Série Kaawhiperi Yoodzawaa numa das noite do encontro, onde foi apresentado e contado o histórico de construção. Depois da apresentação o livro  foi  distribuído para todas as comunidades presentes e representantes das escolas presentes.

Alguns resultados e encaminhamentos

Carta de Manejo de Pesca para as comunidades ( ABRIC/UNIB (Ronaldo), ACIRA, OICAI (Laureano), AIBRI (Armindo), OCIDAI.

 – Definição de localidade de Centrais de Abastecimento (Para o projeto em construção)

Carta de Consentimento Prévio para o Projeto MANAKAI.

Carta para SEIND sobre a necessidade de apoio aos estudantes Baniwa e Coripaco nas universidades.Indicação de 5 capitães para participar de encontro com governador.

– Definição de equipe para elaboração do Projeto para Segurança Alimentar (- Franklin Paulo (Coordenador),  André Fernando,  Raimundo Benjamim,  Ronaldo Apolinário,  Tulio (FUNAI).

Definição de equipe para a elaboração do Projeto Identidade e Cultura (-  Miguel Piloto (Coordenador),  Rosilene Brandão,  Raimundo Benjamim,  Carlos de Jesus da Silva Ricardo).

Criação da Comissão para discutir a criação de um Conselho de capitães da região do Içana. ( Celestino Benjamim da Silva Coordenador (Taiaçu Cachoeira),  Francisco Pereira – Vice Coordenador (Bela Vista),  Anilo da Silva (São José),  Marciel dos Santos (Castelo Branco),  Valdir Augusto (Aracú Cachoeira),  Augusto Garrido (Nazaré),  Lino Luiz Cordeiro (Warirambá/Cuyarí),  Alipio Pedro Camico (Vista Alegre/Cuyarí).

– Mudança do nome “capitão”.  Eenawi (Aprovado, a comissão irá elaborar um documento para legalizar o nome/reconhecimento).

Escola Pamáali: imagens de formaturas

Da esq. para direit. Elizeu, Marciana, Adiosa e eu (Foto: Arquivo EIBC)