De volta para o mundo virtual: Do Rio Negro para o mundo!

Serra da Comunidade Tunuí Cachoeira (foto: Nodzarophesta)

Serra da Comunidade Tunuí Cachoeira (foto: Nodzarophesta)

Depois de ficar um tempo sem usar a internet (com a minha família na comunidade), estou voltando aos poucos para atualizar as notícias nos meus meios de divulgação e principalmente renovar o convite de visita e colaboração.

E aproveito a oportunidade agora, de agradecer a todos que acompanham e que divulgam este espaço. Que nasceu com objetivo de mostrar um pouquinho do que chamo de “mundo rio Negro”.

2013 pra mim começa agora (na web, blogando). Renovo o compromisso de levar a todos notícias, informações e um pouquinho do mundo Rio Negro. E com a colaboração de todos com certeza, o espaço será cada vez melhor. Aqui serão sempre bem-vindos!

Forte abraços a todos!

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Eleita a nova Diretoria da FOIRN no Rio Negro

Depois de dias de debates e apresentações, a XVII Assembleia Geral da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro – FOIRN encerrou ontem, 08 de Novembro com a eleição de nova diretoria (2013-2016).

Nova Diretoria da FOIRN, (da Esq. pra dir) Marivelton Barroso, Nildo Fontes, Almerinda Ramos (Presidente), Renato Matos e Isaias Pereira (Vice-Presidente). Foto: FOIRN Divulgação.

E…despede-se a diretoria 2009-2012

Da esq. para dir. Irineu Laureano, Max, Abraão França, Luiz Brasão e Erivaldo. Foto: FOIRN Divulgação

 

FOIRN lança site na Assembleia de comemoração de 25 anos.

Site da FOIRN lançando na Assembleia de Comemoração de 25 anos. Foto: reprodução.

A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro-  FOIRN lançou nesta terça-feira, 06 de novembro, o site institucional durante a XVII Assembleia Geral, em que completa 25 anos. O site está recheado de novidades sobre os Povos do Rio Negro, vale apenas conferir. O endereço é: http://www.foirn.org.br/.

 

I Fórum da Internet no Brasil: A internet também é minha.

Abertura Oficial do I Forum de Internet no Brasil (Foto: Dan Baniwa)

Da cabeça do cachorro para São Paulo. Motivo? Participar do I Fórum da Internet no Brasil, que aconteceu na Expo Center Norte, entre os dias 13 e 14 de outubro. Na companhia do Daniel Benjamim, companheiro de outras viagens ao sudeste do país, e um dos mais ativos blogueiros indígenas do Rio Negro.

O evento foi uma iniciativa do Comitê Gestor de Internet no Brasil (CGI), com múltiplos objetivos, mas, a principal, criar um espaço de discussão os desafios atuais e futuros da internet. O que levou a vários segmentos da sociedade como Governo, Terceiro Setor, Setor Empresarial, Indígenas representantes de vários movimentos (Cultura Digital Indígena) e outros a participarem do fórum.

Os assuntos discutidos durante os dois dias foram divididos em seis trilhas (abaixo),cada participante fez sua escolha voluntária para participar da roda de discussão de interesse.

1. LIBERDADE, PRIVACIDADE E DIREITOS HUMANOS

-Proteção dos direitos humanos na rede

-Garantia de direitos e liberdades na Internet

-Privacidade e proteção de dados pessoais

-Direitos das crianças e adolescentes

-Liberdade de Expressão

 2. GOVERNANÇA DEMOCRÁTICA E COLABORATIVA

-Governança internacional da Internet: modelo e locus da governança

-Internet como serviço de valor adicionado

-Organização da Internet no Brasil

-Dinâmica e transparência do Comitê Gestor

 3. UNIVERSALIDADE E INCLUSÃO DIGITAL

-Regime jurídico e universalização

-Infraestrutura e redes

-Programa Nacional de Banda Larga (PNBL)

-Qualidade da banda larga

-Medidas de apoio à inclusão digital

-Espectro aberto e democratização do acesso

 4. DIVERSIDADE E CONTEÚDO

-Acesso ao conhecimento e à cultura

-Incentivo à produção nacional e regional de conteúdos para a Internet

-Garantia da diversidade cultural, de gênero e étnico-racial

-Produção e compartilhamento de conteúdos

-Publicidade na rede

-Propriedade intelectual no cenário digital

-Modelos de sustentabilidade

 5. PADRONIZAÇÃO, INTEROPERABILIDADE, NEUTRALIDADE E INOVAÇÃO

-Defesa dos padrões abertos

-Neutralidade na rede

-Estímulos e garantias para a inovação

-Interoperabilidade e os desafios da mobilidade

-Acessibilidade para portadores de necessidades especiais

-Espectro aberto

 6. AMBIENTE LEGAL, REGULATÓRIO, SEGURANÇA E INIMPUTABILIDADE DA REDE

-Marco Civil da Internet

-Tecnologias e legislação sobre crimes na Internet

-Guarda de logs

-Equilíbrio entre segurança, liberdade e privacidade

-Norma 4 e regulação da Internet (serviço de telecomunicações ou serviço de valor adicionado)

-Governança e regulação do espectro

A internet também é minha. “Ter acesso a rede mundial é um direito universal, por isso, deve e precisa chegar aos que vivem nos mais remotos lugares deste país. Se não chega nas periferias de São Paulo, imagine em outros lugares distantes. A internet precisa chegar para todos, e chegar com qualidade!”-disse Sergio Amadeu da Silveira, professor da UFABC e Conselheiro do Comitê Gestor de Internet no Brasil, representante do Terceiro Setor.

A presença Indígena na rede mundial ainda é pequena, mas, crescente. E são os que menos acessam a rede, por não chegar às comunidades. “A sociedade precisa saber que existimos que os povos indígenas também estão na rede, e que tem total capacidade de manusear e usar as novas tecnologias”- disse Anapuaka Muniz, Líder indígena do Movimento Cultura Digital Indígena.

O Fórum realizado nos dias 13 a 14 de outubro foi apenas o I (Primeiro), serão realizados próximos encontros de consulta e discussão sobre os desafios atuais e futuros da internet no país. Foram amarradas várias propostas e o documento final será disponibilizado ao publico, segundo a coordenação do evento.

Fico grato pelo privilégio de ter participado do evento, graças ao esforço de amigos e companheiros (as) usuários da rede, que merecem meus agradecimentos, entre os vários, vão em destaque a Gil (Gilmara do ISA-SGC), Mariana (Secretária Executiva do evento), Professora Mônica (GESAC-AM). Por vários motivos, uma delas a presença no evento que me levou a rever alguns amigos do I Simpósio de Uso da Web nas Aldeias Indígenas realizado no final de 2010, que foi importante para trocar experiências e atualizar as novidades sobre alguns projetos, e o mais legal, fazer parte da equipe indígena no fórum.

A discussão está apenas começando. Lembre-se, a internet também é sua. A sua participação nessa consulta é importante. Internet de qualidade é um direito seu!

Mais informações acesse a página oficial do Fórum: http://forumdainternet.cgi.br/

“Sete nove zero entrando na freqüência!”. Odilene, a comunicadora do Alto Rio Negro.

Hoje o meio de comunicação mais usada na região, a radiofonia não somente serve como meio de passar e receber informações, mas, é também um instrumento de valorização das línguas indígenas do Rio Negro. Para conversar com as comunidades não só exige a responsabilidade e conhecimentos técnicos, mas, também o compromisso e o respeito a diversidade lingüística e cultural dos 23 povos da cabeça de cachorro, é o que a Odilene Silva Máximo, de 24 anos de idade, faz, nas três horas em que está na radiofonia. “Gosto de falar com as pessoas na radiofonia, é o que me faz acordar feliz todos os dias”-revela a comunicadora, em meia hora de conversa que Nodakaroda teve com ela, no telecentro da FOIRN em São Gabriel.

Odilene Máximo, comunicadora da FOIRN. (foto: Divulgação)

São três horas por dia falando com as comunidades, passando e recebendo mensagens para mais diversos destinatários e objetivos. É isso que faz com que ela acorde sempre feliz e animada todos os dias, de segunda a sábado em São Gabriel da Cachoeira. Ela e a radiofonia o meio de comunicação mais usado na cabeça de cachorro, como é mais conhecido a região do Alto Rio Negro.

Odilene Silva Máximo, que em muitas vezes se confunde com “Rosilene, Darlene, Dilene”, pelos operadores de rádio da região, nasceu e foi criada na Ilha de Acará, que se confunde com as muitas ilhas do baixo Rio Negro, que para ser localizado, precisa ter como referencia a ilha de Tapajós.  Pai da etnia Baré, ela é a única mulher dos três filhos do Sr. Hermogenes e dona Irene da Silva. Nascida, em 05 de maio de 1987, começou a freqüentar a escola como seus poucos anos de idade, e durante esses últimos anos, passou por alguns colégios de São Gabriel, até terminar seu ensino médio no IFAM-Campus São Gabriel.

Teve que vencer três concorrentes para chegar onde está hoje, no Departamento de Comunicação da FOIRN (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro), onde divide seu tempo, viajando com a equipe nas comunidades para registrar eventos, cuidar da Rede de radiofonias instaladas nas mais diversas comunidades da região e ainda apresentar o Programa Vozes do Rio Negro, na FM, nos dias de terça-feira de cada semana. Espaço onde são levados a população de São Gabriel, notícias sobre as atividades da FOIRN, do Movimento Indígena, a Cultura dos 23 povos da região e muita informação.  E ainda mantem um programa na Radio Municipal, mas, apresentado pelo Nivaldo, que também atua junto com a Odilene no SETCOM da FOIRN.

Como as Estações de Radio Fonia foram instaladas na Região do Alto Rio Negro.

Radiofonia se tornou nos últimos 10 anos, o meio de comunicação mais usada na região do Rio Negro. Na foto aluno da Escola Pamáali, Ronaldo Rafael, usando a radio para conversar com sua mãe. (Foto: Carol da Riva)

Depois da criação da FOIRN em abril de 1987, foi necessário que fossem desenvolvidas atividades para que realmente os Povos Indígenas da Região pudessem garantir o futuro no seu território,  tanto fisicamente como culturalmente. Uma das primeiras grande bandeira de luta e motivo de criação da Federação foi a demarcação das terras, que com esforço e por meio de parcerias estabelecidas, foi conquistado.

É possível perceber a emoção e o olhar dos principais líderes indígenas do Rio Negro, ao contarem essa luta no vídeo institucional. Como terra demarcada, precisou criar projetos de desenvolvimento da região, que a FOIRN vem fazendo ao longo dos mais de 20 anos. Entre eles, o Projeto de Fiscalização das terras demarcadas, que trouxe em sua maioria as estações de radiofonia para as comunidades da região.  Segundo as informações da equipe de comunicação, as primeiras radiofonias foram instaladas a partir de 1994. De lá pra cá, foram instaladas mais de 100 estações.

Apesar de ser um número grande, ainda não é suficiente para as mais de 700 comunidades do Alto Rio Negro. Segundo, a operadora do 790 (FOIRN), ainda há dificuldades para levar as informações para todas as comunidades da região. O que dificulta a comunicação com as bases. E hoje, existe um número acima de 15 de radiofonias não funcionando, com problemas ou danificados. E a única forma de resolver ou concertar esses equipamentos quando danificados é por meio da parceria que a FOIRN tem com o Distrito Sanitário Especial Indígena – DSEI, por concerto ter na cidade um custo alto. E outro motivo é a falta de capacitação (em manutenção ou em cuidados necessários com os equipamentos) do pessoal que é responsável pelas rádios nas comunidades, que geralmente são os Agentes Comunitários Indígenas de Saúde, por ser um meio de contato importante para manter a equipe de saúde informada sobre a situação de saúde na comunidade.

Frequência das Línguas Indígenas do Rio Negro.

Se você chegar na sala de radio da FOIRN em São Gabriel, a primeira coisa que irá ouvir é gente falando nos mais diversos dialetos da região.  Nheengatu, Tukano e Baniwa são as línguas mais usadas nesse meio de comunicação. Apesar de estar escrito na sala “Deixar seu recado em forma escrita. A Direção Agradece!”, as pessoas preferem falar pessoalmente com o destinatário e ainda na língua. Só entende quem é falante da língua. E nessas ocasiões, a Odilene, apenas fica vendo, principalmente quando a língua é Baniwa ou Tukano.

Há certos momentos alguns usuários desse meio exageram em expressões, tipo falando coisas imorais ou coisas que não deveriam falar. Especialmente quando não é horário da FOIRN, como o 790 entra apenas das 8hs a 9h30 da manhã e 14hs a 15h30 da tarde, a responsável não consegue acompanhar tudo o que é falado na freqüência. Pois, algumas estações chegam a funcionar desde cedo e até mais tarde, de todos os dias, que é possível perceber quando está numa comunidade onde existe radiofonia funcionando, e por ser usado por qualquer um da comunidade, o que causa problemas conseqüentemente. Mas, que a equipe de comunicação sempre está ressaltando a importância dos cuidados, da responsabilidade de uso destes equipamentos. “Quando entramos na freqüência procuramos sempre falar da importância dos cuidados e da responsabilidade que os operadores devem ter com o equipamento e o uso adequado, como por exemplo, respeitar os horários”-disse .

Acesso a internet na escola Pamáali(foto: Carol da Riva)

Hoje, esse meio de comunicação ainda é o mais usado na região, mas, com a chegada de alguns pontos de internet, os mais jovens começaram também a se adequar com essa nova tecnologia. E que ao longo dos próximos anos tem a crescer, pois, cada vez mais o interesse pelas novas tecnologias é grande. E por facilitar a comunicação e a busca de informações, como envio de e-mails, conversas instantâneas não só com pessoas da região, mas, de outros lugares distantes. Mas, ainda há dificuldades não só no conhecimento de uso, mas, também no acesso a essas tecnologias.

Enquanto a internet não domina a região, as pessoas vão continuar usando a radiofonia e chamar “790 na escuta! É a Rosilene que está falando?!”, “790 na escuta, quem fala aqui é a Odilene, câmbio”.