Outra vez: Santa Isabel do Rio Negro

Pôr do sol no Rio Negro (Baixo Rio Negro).

Pôr do sol no Rio Negro (Baixo Rio Negro).

Após a etapa local da Conferência Nacional de Política Indigenista, realizado em Juruti – Alto Rio Negro, no início do mês de maio (ver post abaixo), dessa vez o evento aconteceu em Santa Isabel do Rio Negro, um dos três municípios do Rio Negro (São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos – nessa ordem, descendo o rio Negro).

Mais uma vez, o evento aconteceu durante três dias, mais de 200 pessoas marcaram presença, estes, vindos das mais diferentes comunidades, representantes de organizações Indígenas.

O principal tema de discussão foi sobre os Direitos Indígenas conquistados na C.F 1988, violados e ameaçados pelos interesses econômicos. Uma oportunidade para as lideranças mostrarem sua indignação a respeito disso, e melhor, elaborar propostas para os governos municipal, estadual e federal sobre, como querem que passem a ser tratados de agora em diante.

Enfim….muitas propostas foram levantadas e encaminhadas, especialmente o pedido da demarcação urgente das Terras Indígenas em processo, localizadas na região do Baixo Rio Negro. Para saber mais como foi leia a notícia da conferência no blog da FOIRN. 

A viagem de volta, como na descida foi de voadeira. Uma oportunidade de ver e rever lugares, e pessoas conhecidas em algumas comunidades onde tivemos a oportunidade de fazer uma parada (em Cartucho – para assar peixe e almoçar).

Muito bom viajar pelo Rio Negro. Cada viagem uma alegria, uma emoção, uma aventura.

Subindo o Rio Negro, de Santa Isabel para São Gabriel da Cachoeira

Subindo o Rio Negro, de Santa Isabel para São Gabriel da CachoeiraPess

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Conhecendo aos poucos esse imenso Rio Negro

Na companhia da dona Jacinta de Assis, liderança da comunidade Balaio, no Rio Negro, nas proximidades de São Gabriel da Cachoeira

Na companhia da dona Jacinta de Assis, liderança da comunidade Balaio, no Rio Negro, nas proximidades de São Gabriel da Cachoeira

A ida pra participar da 1a etapa local da Conferência Nacional de Política Indigenista na comunidade Juruti – Alto Rio Negro, aproximadamente 2 horas e meia viajando, subindo o Rio Negro, muito perto da linha de fronteira do Brasil com a Venezuela e Colômbia, me possibilitou mais uma vez (segunda vez que vou para Juruti, e terceira ao alto Rio Negro), conhecer ainda mais e melhor os povos Baré e Werekena que predominam a região, além de também compartilharem esse território com outras pessoas das demais etnias no Rio Negro.

2015

BLOG

Ah, que esse ano seja cheio de coisas novas e muita coisa pra contar. Espero compartilhar um pouco dos meus sentimentos, idéias e o que tiver acontecendo. Agradeço a todos que acompanham o meu blog, como aqueles que compartilham comigo por meio de comentários. Abraços a tod@s!

Em Cartucho – Médio Rio Negro

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A minha primeira viagem como integrante da equipe de Comunicação da FOIRN à região do Médio Rio Negro foi em setembro de 2013. Daquela vez, a missão foi acompanhar e contribuir na discussão dos Projetos Políticos Pedagógicos das escolas de ensino fundamental em quatro comunidades indígenas, que pertencem à área de abrangência do município de Santa Isabel do Rio Negro. E a última parada da viagem de 2013 foi em Cartucho – uma comunidade que fica aproximadamente uma hora e meia de Santa Isabel.

Quase um ano depois, na primeira semana de agosto de 2014, voltei à Cartucho, para participar do Seminário Comemorativo de 21 anos da associação ACIR (Associação das Comunidades Indígenas e Ribeirinhas), que congreja 13 comunidades.

Em três dias de evento, grandes líderes que tiveram um árduo e papel fundamental da consolidação do movimento indígena na região desde o início da década de 90, relataram suas lutas, momentos difíceis, medos e conquistas. Entre estes, estavam Braz França e Libório Diniz. Os dois, lembraram em seus relatos nomes de lideranças que também estiveram no grupo de lideranças que também foram importantes, como o Moura Tukano, que faleceu já neste ano.

Uma verdadeira aula de história do movimento indígena para mim, e como tantos jovens que estavam ali para anotar e ouvir.

“Não podemos deixar de lutar pelos nossos direitos”- disse Liborio, um dos fundadores da ACIR, há 21 anos.

“Fui várias vezes ameaçado pela luta pelos direitos, que nós indígenas tinhamos acabado de conquistar na Constituição Federal. Na época (inicio dos anos 90), nem o prefeito de Santa Isabel sabia que tinhamos conquistado direito na CF, em uma reunião que realizamos, ele disse que nos estávamos inventando e que isso ia morrer aí mesmo”-lembra Braz.

Depois dos relatos das lideranças históricas, passamos a conhecer a história da associação, através de seus ex-diretores presidentes. Cada um relatou os principais desafios e dificuldades no período em que estiveram à frente da associação.

Marivelton Rodriguês Barroso atual  (2013-2016) Diretor da FOIRN de referência para a região do Médio e Baixo Rio Negro disse que, para fortalecer o movimento indígenas e principalmente as associações, é fundamental a participação das lideranças que estiveram desde o inicio, para que os mais jovens, conheçam quais foram os principais desafios e dificuldades que enfrentaram e como isso aprender, e como também por outro lado, conhecer a história da luta pelos direitos.

Ainda houve um exercicio de tradução de alguns termos da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI) para a língua Nheengatu. O trabalho é parte do trabalho de campo dos estudantes do Curso Básico em PNGATI, realizado pela FOIRN em parceria com o ISA e apoio financeiro do PDPI. Vamberto Placido é um dos 25 participantes do Curso, e foi ele quem coordenou as atividades em Cartucho. Cinco grupos de trabalhos foram formados para essa atividade, que ao final, apresentaram os termos em Nheengatu. Um trabalho que deverá ser aprimorado com o tempo. Pois, quanto mais pessoas começarem a falar e trocar idéias sobre elas, o entendimento vai também se aprimorando. Vamberto foi bastante elogiado pelos participantes pelo trabalho.

Na noite de despedida foi apresentada a “Maniaka Murasi” que é a mesma coisa “Dança da Mandioca”. Uma dança com musica adaptada que fala sobre os conhecimentos tradicionais relacionadas à roça e a vida na comunidade. Desde os mais pequenos até aos mais velhos. “Uma maneira de valorizar a cultura que alunos e professores juntos com os conhecedores estão desenvolvendo”- disse, a presidente da ACIR.

A cultura para ser trasmitida para novas gerações, deve ser praticada, vivida. Os mais novos, vão aprendendo e vivendo.

E eu, vou aprendendo e conhecendo a diversidade e a riqueza cultural que nós povos indígenas do Rio Negro temos. Cada viagem, carrego de volta uma bagagem de conhecimento e novas descobertas.

Foto criada em 2014-09-02 às 21.51 #4

De volta à minha origem

 

Na viagem à Ucuqui Cachoeira, tive o privilégio de chegar pertinho da pedra mais importante existente na bacia do Içana (Para nós Baniwa).

Na viagem à Ucuqui Cachoeira, tive o privilégio de chegar pertinho da pedra mais importante existente na bacia do Içana (Para nós Baniwa).

A minha ida pra Ucuqui Cachoeira, alto Aiarí, afluente do Içana, nos dias 17 a 20 de abril deste ano, para participar da cerimônia de inauguração da Casa da Pimenta Manowadzaro, não apenas possibilitou  conhecer um pouco da situação histórica e atual da economia indígena no alto rio Ayari e ouvir das pessoas o significado da Casa  inaugurada e expectativas com o Projeto Pimenta Baniwa, como foi uma das viagem mais importantes que já fiz (espero voltar lá mais vezes, caso apareça outras oportunidades), entre outros motivos, pelo fato de poder conhecer o local que para o povo Baniwa, foi o local onde tudo começou, Wapuí Cachoeira.

Wapuí Cachoeira  hoje é uma comunidade Baniwa, mas, ela é conhecida pela grande cachoeira que fica no local, pedras com desenhos (petroglifos), e guarda a mais importante fase da história Baniwa, a origem. O local é conhecido como “Hekoapi Hiepole” em Baniwa, que seria “Umbigo do Mundo”. Essa não é a única versão de origem da humanidade para os Walimanai, como nós Baniwa, autodenominamos, mas, é a mais aceita e contada comumente pelos clãs (São mais de 8).

Foi lá que (na Cachoeira), os “chefes” dos clãs Baniwa, como Dzawinai, Waliperidakenai, Hohodeni e outros sairam, à fumaça do tabaco dos irmãos Ñapirikoli, Heeri e Dzooli. Nessa viagem de abril, o nível do rio estava “grande” e nessa época não dar pra ver, só quando o rio está seco. De lá, depois que sairam do “buraco de origem”, cada grupo recebeu um território para ocupar. Os Hohodene ficaram com o território do alto Aiarí, os Dzawinai com a região central do Içana (conhecido como médio Içana atualmente), enquanto que os Waliperidakenai ficaram com a região do médio-alto Içana, sobretudo, no igarapé Pamarí (onde fica a escola Pamáali atualmente).

Dois dias em Ucuqui Cachoeira, compartilhando espaço de uma grande maloca com os companheiros de viagem, presenciando danças tradicionais, ouvindo som das flautas sagradas como Juruparí (Kowai) pela madrugada e experimentando o caxirí, fez-me sentir estar no lugar certo. As narrativas que aprendi ao longo desses anos, estavam sendo vividas naqueles momentos.

Matsiakaro phatsamitha weemaka wadzakalenairiko

ImagemLirikoda mhitshaka lhieka idzeenaliwa (05-07/12), nawakeetakawa nhaa kaakonadalipe ayaha Hiipanako, kaakokaro nhaa nanako nhaa kanakaiperi pamatsiataka ideenhikhettika oo nhaatsakha nhaa kanakaiperittoa padeenhika, wattaitakaro mitha watsa weemaka matsiaphatsa wadzakalenairiko.Hoore yakotti, iwapineetakhetti, nheette ideenhikhetti kanakaiperi padeenhika, metsa karoka mherapittinakatsa ni.

Waanheenina oophittetsa lhie naamaka nawadzakeetaka whaa oo maatshika naako nheette nadeenhika wakhoette nhaa wanheri yalanawinai. Metsa, neenikatsakhaa nhaa yomakape oo ikitsindataka whaa, Nhaa wakitsienatsa nakhoette nhaa wheponda, ideenhiri phiome nhetakaro waadza wahipaite weemali neeni. Ikatsa pada yakotti khedzakoli kanakai wakaitepeka walhiowaaka pandza whaa wakoenai, imas, pawalipe, nhaatsa nhaa wakitsienatsa, pakoaka nawapineetaka naapidza nhaa yalanawinai oo nawadaka matsiakalika lhia nhemali nheette nakapali tsakha. Katsa pada matshidalikatsa yakottika pandza.

Irawadatti (dzanakaa), katsa padakatsakha imatshikakada weemaka pandza ayaha weemakaliko. Padatsa kaakoli nhaa inako lirikoda neeniri mendzamitsa. Hore kanhetsa pida nadeeka irawadatti wadzakalenairiko nhaa padapenaa wakitsienapetsa, koamekatsa nhaa yalanawinai (Colombianonai). Okayalirikolhe pida horekanheetsa nadeeka lhiapepe. Pandza pida Dzawhipani, karotha pida nakadaa navenderi neeni, metsa peemhette pida neenika ni. Kadzodali ima pida, manopena nainoakakawa oo maliomekanhaa kadzodali ikhette.

Daa..hore mikanheetsa kanakaiperi pamatsiataka weemakawaliko. Oopina naroita wapidzawa nhaa kanakaiperi Iniali irhio, pandza kanakai watsa waaka naphontte, ima wawapakadaatsa watsa, kadzo oopidzotsa, karowatsa koaka wadeenhiri. Phada pianhe tsiali.

De volta para o mundo virtual: Do Rio Negro para o mundo!

Serra da Comunidade Tunuí Cachoeira (foto: Nodzarophesta)

Serra da Comunidade Tunuí Cachoeira (foto: Nodzarophesta)

Depois de ficar um tempo sem usar a internet (com a minha família na comunidade), estou voltando aos poucos para atualizar as notícias nos meus meios de divulgação e principalmente renovar o convite de visita e colaboração.

E aproveito a oportunidade agora, de agradecer a todos que acompanham e que divulgam este espaço. Que nasceu com objetivo de mostrar um pouquinho do que chamo de “mundo rio Negro”.

2013 pra mim começa agora (na web, blogando). Renovo o compromisso de levar a todos notícias, informações e um pouquinho do mundo Rio Negro. E com a colaboração de todos com certeza, o espaço será cada vez melhor. Aqui serão sempre bem-vindos!

Forte abraços a todos!

Meu primeiro site, no papel…

Meu primeiro site, no papel..rss. Foto: Andreza Andrade/2008

Meu primeiro site, no papel..rss. Foto: Andreza Andrade/2008ei

Na época (2008), quando comecei a pensar em criar o site ou meu blog pessoal, 0 desenho que veio na cabeça com o grupo de trabalho foi esse. Saiu do papel? Não..por enquanto…mas, quem sabe no futuro…E se sair será bem  melhor do que esse aí, ideia minha de 5 anos atrás.