A Pimenta Baniwa é mais que uma pimenta

Mulheres Baniwa na cerimônia de Inauguração da Casa da Pimenta Yamado (Titsiadoa), 23 de abril. Foto: Ray Benjamim

Mulheres Baniwa na cerimônia de Inauguração da Casa da Pimenta Yamado (Titsiadoa), 23 de abril. Foto: Ray Benjamim

Provavelmente, o Iñapirikoli – Deus criador (para os Baniwa) já sabia que os Walimanai (novas gerações/gerações de hoje), algum dia no futuro iriam usar a pimenta não apenas para purificar a comida, ou como alimento que protege o corpo e a alma de espíritos que causam doenças. Desde que foi iniciado o projeto, a Pimenta Baniwa vem sendo um símbolo de luta pelos direitos, reafirmação de identidade do Povo Baniwa, não apenas estes, mas, de todos os povos indígenas do Rio Negro. A Pimenta Baniwa carrega uma história de luta e resistência vem sendo uma “mensagem positiva” dos povos indígenas para o Brasil e para o mundo, de acordo com o André Fernando ou André Baniwa, como é mais conhecido o presidente da OIBI (Organização Indígena da Bacia do Içana).

O Projeto Pimenta Baniwa vem buscando valorizar a diversidade e a territorialidade tradicional dos clãs Baniwa na região do Içana. “A primeira casa inaugurada, está funcionando em Tunuí Cachoeira (Baixo-Médio Içana) no território dos Dzawinai, a segunda, foi inaugurada na comunidade Ucuki Cachoeira, Alto Aiarí no território dos Hohodene, e a terceira na Escola Pamáali no território dos Waliperidakenai, e esta quarta casa vai funcionar aqui em Yamado para os Baniwa que mora na cidade ou próximo a ela”-lembrou Adeilson Lopes, ecólogo do Instituto Socioambiental, que assessora o projeto, e trabalha com os Baniwa do Içana há alguns anos.

André Baniwa, lembrou da importância das parcerias, os apoiadores, os consumidores da Pimenta, especialmente as instituições que apoiam e participam da gestão compartilhada do projeto como a FOIRN, a CABC, o ISA, o ATA entre outros que vão se construindo e consolidando com o tempo, que de acordo o André são importantes para a divulgação do projeto, da luta e da história (e cultura) que esse produto carrega.

Chefes de Cozinha com mulheres Baniwa na inauguração da Casa da Pimenta Yamado. Foto: Ray Benjamim

Chefes de Cozinha com mulheres Baniwa na inauguração da Casa da Pimenta Yamado. Foto: Ray Benjamim

Os Chefs de Cozinha Alex Atala (Restaurante D.O.M de São Paulo), Felipe Schaedler (Restaurante Banzeiro de Manaus) e Bela Gil participaram das duas cerimônia de inauguração.

Em meios as tantas ameaças aos direitos constitucionais dos indígenas no Brasil hoje, a Pimenta Baniwa chega para contribuir com essa luta.

Que a Pimenta Baniwa não apenas nos projeta de espíritos que causam a doença, como também nos proteja dessas ameaças aos nossos direitos.

Saiba mais sobre a Pimenta Baniwa, onde encontrar e receitas aqui.

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139 Agentes Comunitários Indígenas de Saúde concluem curso técnico em São Gabriel da Cachoeira

ACIS do Pólo Formativo Baniwa e Coripaco (Médio e Alto Içana). Foto: FOIRN

ACIS do Pólo Formativo Baniwa e Coripaco (Médio e Alto Içana). Foto: FOIRN

Foi uma comemoração e tanto. Dois dias para comemorar essa conquista histórica. Só para se ter idéia, a maloca da FOIRN (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro), lotou na noite do dia 10/04. O ginásio Arnaldo Coimbra ficou cheio de gente no dia 11/04.  Uma comemoração de um resultado de um trabalho conjunto e coletivo que envolveu várias pessoas e instituições ao longo dos anos.

Em 2009, atendendo a uma demanda apresentada pela Federação das Organizações Indígenas de Saúde – FOIRN, a Fiocruz Amazônia uniu forças com outra unidade da Fiocruz, a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, com a Gerência de Educação Indígena (GEEI) da Secretaria Estadual de Educação do Amazonas e juntamente com outros parceiros como a FUNAI, Prefeitura Municipal de São Gabriel da Cachoeira e o DSEIARN proporcionaram a formação de agentes indígenas de saúde das áreas indígenas.

Na primeira noite, os representantes de instituições que participaram ativamente no processo de construção do projeto de formação dos Agentes Comunitários Indígenas de Saúde, lembraram das dificuldades e os aprendizados ao longo dos anos. “Não foi fácil – todos aqui são merecedores dessa conquista, é a primeira turma de Curso Técnico em Agente Comunitário Indígena de Saúde do país”-lembrou uma das lideranças durante a cerimônia.

“Que a essa conquista tenha resultados direto na melhoria da qualidade de vida da população indígena”, “Vocês estão de parabéns por essa conquista, e como também a todos que fizeram parte desde o começou”, “Estamos mostrando para o governo Brasileiro que sabemos fazer e direito” – essas foram algumas das afirmações nos discursos de abertura.

Homenagens da turma foram dedicados à alguns cursistas que faleceram ao longo do curso, e como também aqueles que foram os primeiros agentes de saúde indígena na região mesmo sem remuneração, entre estes foram convidados: Antônio Menezes, Argemiro Teles e outros.

Foram várias etapas desse projeto formação, a primeira delas foi a regularização da vida escolar (vários não tinham ensino fundamental completo ou ensino médio), e a segunda foi a formação técnica. De ACIS para Técnicos em Agentes Comunitários Indígenas de Saúde. Os desafios são grandes pela frente, mas, o resultado de uma luta de vários anos, mostra que é possível, sonhar e lutar.

Parabéns!

Projeto Mawako: Encontro de sons para a formação de novas lideranças e valorização cultural

Mobilizando pessoas para contribuir no processo de fortalecimento das comunidades Baniwa, valorização cultural e formação de novas lideranças através da música. “Uma gota de ação neste mar verde”.

Equipe do Projeto Mawako em Assunção do Içana. Foto: Inês

Equipe do Projeto Mawako em Assunção do Içana. Foto: Inês

A idéia de criar um projeto que ajudasse a valorização da cultura pelos jovens indígenas e a formação destes para continuar a luta pela defesa dos direitos, da terra e continuar mantendo viva seu modo de vida, mas, ao mesmo tempo aprendendo novas coisas para fugir das drogas e etc…, nasceu  no curso de Fé e Política (CEFEP (5a turma), do ano de 2014-2015 promovido pela CNBB e PUC­Rio.

Trinho Paiva, professor Baniwa e vereador de São Gabriel da Cachoeira, compartilhou as dificuldades enfrentadas na região do Rio Negro, sobretudo, na região do Içana. Falou também ao grupo do curso, quais principais anseios dos jovens baniwa, e a preocupação dos mais velhos em relação a transmissão de conhecimentos a estes. E como resultado dessa reflexão, chegou-se a uma conclusão, fazer alguma ação que incentive os jovens a valorizar as musicas tradicionais através de instrumentos musicais dos “brancos”. Assim foi criado o Projeto Mawako. (Mawako é um instrumento musical usando comumente pelos povos indígenas do Rio Negro).

Desde então, foi criado um sítio do projeto na internet com objetivo de divulgar o objetivo do projeto e como uma forma de encontrar colaboradores e apoiadores através de doações de instrumentos ou de recursos financeiros.

Entre 14 a 18 de março, aconteceu a primeira viagem à região do Içana. A equipe composta pelo Isaias Fontes (Diretor da FOIRN, parceira do projeto), Trinho Paiva (Coordenador do Projeto), Inês, Luiz Catapan, Irmã Inê e Honeide. E eu acompanhei a equipe para fazer registro.

A primeira etapa do projeto contemplou as comunidades Assunção do Içana e Ucuki Cachoeira, alto Aiarí. A próxima etapa será contemplar outras comunidades da região.

Nas comunidade visitadas (contempladas) a equipe (estudantes do curso), falou da reforma política, um dos temas abordados pelo curso. Após a palestra sobre o tema, os comunitários também falaram da situação em que vivem, de acordo eles, os programas de governo não chegam e clamam para que o poder público municipal faça alguma….”Os políticos só aparecem aqui na época da campanha política para pedir voto, depois da eleição não aparecem mais….prometem e prometem e nunca cumprem”-falou Dário da comunidade Ucuki Cachoeira.

“Não podemos perder a esperança. Vocês precisam lutar pelos seus direitos…por isso que estamos aqui com o projeto Mawako para trazer incentivo aos jovens, pois são eles o presente e o futuro”-falou Luiz Catapan.

Isaias e os demais membros da equipe de viagem, ressaltaram a importância da valorização da cultura, e que o projeto Mawako tem essa proposta, e que o o objetivo maior vai além da música, que o projeto contribua no desenvolvimento social das comunidades e do povo Baniwa.

“Com estes instrumentos os jovens irão animar a comunidade através de grupo de musicas, animar as assembleias das associações e momentos que for necessários. Quem sabe no futuro iremos realizar festivais de musicas na região. A própria comunidade vai fazer a gestão desses equipamentos”-disse Trinho.

Na noite em que chegamos em Ucuki o Trinho passou vídeos de mensagens do bispo Don Edosn, Antonio Manoel de Barros comandante da 2ª Brigada de Infantaria de Selva e do Secretário Municipal de educação de São Gabriel da cachoeira. Estes em suas mensagens declaram apoio a iniciativa e ressaltaram de ações como o projeto Mawako para incentivar os jovens a valorização de suas culturas e o fortalecimento das lideranças e comunidades.

Pessoalmente, foi a segunda vez que fui até Ucuki Cachoeira, depois de quase um ano, mais uma vez tive o privilégio conhecer mais o modo de vida ainda “viva”, como disse o capitão da comunidade Abel Fontes. “Aqui não falamos do resgate da cultura. Estamos vivendo a nossa cultura”-disse ele. Não é em todo lugar que se ouve palavras como a do capitão de Ucuki.

Que o projeto Mawako seja um instrumento que incentive os jovens a continuarem aprendendo com os mais velhos, para que no futuro próximo eles façam o mesmo com os filhos. E que o projeto Mawako se amplie e chegue em várias comunidades no Içana e como também em outros cantos deste imenso rio Negro. Para isso, convido você leitor conhecer o projeto e colaborar. Sua colaboração fará grande diferença e dará bons frutos no futuro.

Moradores da comunidade Ucuki Cachoeira, com flautas tradicionais e instrumentos musicais dos "brancos" em frente a maloca. Foto: Arquivo pessoal

Moradores da comunidade Ucuki Cachoeira, com flautas tradicionais e instrumentos musicais dos “brancos” em frente a maloca. Foto: Arquivo pessoal

Conheça mais o projeto visitando o site do projeto: http://www.projetomawako.teiadecomunidades.com.br/

Em Santa Isabel do Rio Negro, na semana que vem (17/11)

Foto reprodução capa facebook da FOIRN

Foto reprodução capa facebook da FOIRN

A partir da segunda-feira, próxima, 17/11, lideranças de todas as associações indígenas do Rio Negro, representantes das 5 Coordenadorias Regionais da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), vão se reunir em Santa Isabel do Rio Negro, para discutir vários temas de interesse (ver a programação aqui: http://zip.net/bdpZjg).

E estarei lá pra atualizar e compartilhar os principais desdobramentos e encaminhamentos.

Mulheres Indígenas do Rio Negro se reuniram em SGC para discutir temas de interesse e elaborar propostas e planos de ação para próximos anos.

ImagemNa semana passada, entre os dias 03 a 05, acompanhei de perto o evento que reuniu mais de 50 mulheres indígenas, vindas de varias regiões do Rio Negro. Uma verdadeira aula de historia de movimento indígena pra mim, que antes, pouco conhecia o quanto era o envolvimento e participação delas, desde que o movimento indígena do rio negro foi formado.

Declarações de ex-diretores, como de Domingos Barreto, me fez lembrar e trazer aos “olhos” a fala da “Joaquina” (como aparece no vídeo), de como elas foram e são parte importante do movimento. Mas, nem sempre tiveram o devido espaço, como elas conquistaram desde que o Departamento de Mulheres Indígenas da Foirn foi criado em 2002.

Apesar dos altos e baixos desde que foi criado, o DMIRN consolidou o espaço delas no movimento, que pode ser mencionado como um dos resultados dentre os varias conquistas. Em 26 anos, apenas duas mulheres passaram na diretoria. A Rosilene Fonseca e a  a Almerinda Ramos que tem mais 3 anos de gestão pela frente.

Enfim…durante os três dias de evento, pude perceber o quanto ainda são grandes os desafios a serem superadas em termos de fortalecimentos de suas instituições, e como organização de suas iniciativas, relacionadas a praticas de produção.  E como representantes delas, as coordenadoras do Departamento foram cobrados frequentemente na reunião. Duas senhoras questionaram as atuais (da gestão 2010-2013), o por que elas não atenderam as demais regiões, se fizeram isso em outras.

Esse atendimento se resume em visitas e realizações de oficinas de formação e outros. E por ai vai…O que faz necessário uma explicação por parte das coordenadoras, do porque a ausência em todas as regiões. Primeiro por que a atuação do DMIRN abrange três municípios (Sao Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel e Barcelos), por isso, ha muitas demandas, e para agravar a situacao, os recursos são escassos, e o departamento não tem uma estrutura e equipamento para realizar viagens independentes. Segundo as coordenadoras, só chegam nas bases pegando “carona” com os coordenadores regionais, que nem sempre realizam viagens com frequência.

Outra critica. A Loja de produtos do Rio Negro, a Wariro, sempre foi vista por elas, como um espaço distante do que gostariam que fosse. Todas elas são produtoras de determinados produtos, usando cerâmica, tucum e fibras de piaçava. “A gente chega la, as vezes a gerente pede para passar outro dia, e quando vamos no dia seguinte, fala a mesma coisa..Isso nos desanima” – afirmou uma das participantes, ao se referir as gerentes anteriores da atual. “Agora esta melhorando, estou gostando” – conclui a produtora, falando dos avanços em relação a responsável atual.

O que elas querem?. Durante o evento, as participantes foram organizadas em grupos por associações para colocar no papel e apresentar as demandas. Formação e informação, troca de experiencias com outras mulheres de regiões diferentes foram os desejos mais repetidos nas exposições. Oficinas, encontros e feiras são formatos que apontaram para realização desses objetivos. Por isso, que Santa Isabel e Barcelos os aguardem! Elas vão la…O mais interessante, a preocupação em repasse e transmissão de conhecimentos esta sendo foco dessas oficinas e encontros.

Em 2014, a Casa do Saber da Foirn (maloca), sera um centro de formação de mulheres em produção de artefatos de cerâmica e produtos de tucum. Foram programas essas oficinas aqui em São Gabriel da Cachoeira. Ja esta anotado e agendado. Elas vao se organizar e deixar todo material a ser usado, pronto, e trazer para cidade, quando chegar a data. E a grana para reunir tantas mulheres e vários lugares diferentes? ” A Funai tem que nos apoiar” – disse dona Jacinta, presidente de uma das associações presentes no evento. Sobre recursos financeiros, elas com certeza irão atras, disso, não tenho duvidas.

Depois de toda discussão, no final do evento, chegou o momento mais esperado. E eleição da nova coordenação para o departamento de mulheres. Com o compromisso de trazer uma candidata, cada associação veio com 5 delegadas para votar. Mas, algumas associações chegaram com poucas delegadas, e apenas 4 apresentaram suas indicadas para concorrer. As quatro tiveram seu tempo para se apresentar e falar de suas propostas para a gestão. Isso, aconteceu no final do segundo dia.

No terceiro dia, apos, a palestra de dois enfermeiros do DSEI-ARN, sobre a Saúde da Mulher (Importância do Pre-natal, Câncer de Mama e Câncer de Colo de Útero), começou a votação. Foram mais de 30 votos no total. Resultado. Professora Rosilda Cordeiro da etnia Tukano, do Distrito de Taracuá como Coordenadora e Francineia Fontes, Baniwa, da comunidade de Assunção do Içana.

Depois disso, houve um momento que comoveu todos os presentes. Leituras de cartas de agradecimento das atuais coordenadoras do departamento, Rosane Cruz e Anair Sampaio, eleitas em 2010. Onde, elas, expressam suas aprendizagens, lutas e conquistas. ” Deixo o departamento, mas, continuarei sendo liderança indígena, o que me tornei” – finalizou a Cruz, que coordenou do DMIRN por três anos.

E nós, homens, estivemos la também para apoiar em momentos necessários. ” Falar de lutas e do movimento das Mulheres, e referir nos a luta do Movimento Indígena do Rio Negro”- disse, o Barreto, atual coordenador do CRRN-Funai.

Movimento Indígena do Rio Negro: Agora é elas!

As mulheres indígenas do Rio Negro conseguiram um fato inédito na história do movimento. A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro- FOIRN terá primeira mulher presidente em 25 anos. Quem conta como a participação delas vem crescendo nos últimos anos é a  Rosane Cruz – Coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro – DMIRN , que coordena e acompanha de perto o movimento delas no Rio Negro.

Rosane Cruz- Coordenadora do DMIRN (foto: Arquivo pessoal)

Sorridente, corajosa e guerreira. Uma das poucas que conhecem de perto a realidade das mulheres  que vivem no chamado “cabeça de cachorro”. Quando o assunto é Mulheres Indígenas ou assunto relacionado a isso, é com ela mesma!  Essa é a Rosane Cruz ou Oholipako da etnia Piratapuya, de apenas 22 anos. A atual Coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas do  Rio Negro , espaço conquistado por elas dentro da FOIRN.

Nasceu e cresceu em Iauaretê no Rio Waupés, um dos principais afluentes do Rio Negro. Antes de assumir o DMIRN, fez o Curso de Gestores  de Projetos e de lá pra cá, muita coisa aconteceu. Entrou para o movimento indígena do Rio Negro e não parou mais. Depois do dia 19 de maio de 2010, quando foi eleita, a rotina da Rosane, passou a ser reuniões e viagens.

Criado em 2002, o DMIRN  entre outros objetivos, assume o compromisso de assegurar e viabilizar a defesa e o exercício dos direitos das mulheres indígenas na área de atuação da FOIRN e  representar politicamente organizações de mulheres indígenas do Rio Negro dos 23 povos da região em eventos deliberativos locais e nacionais

Estão presentes desde o inicio.

Elas estão presentes na luta desde o inicio. A participação delas foi decisiva para a criação da FOIRN em 19 87 (Clique aqui para assistir o vídeo de fundação da FOIRN).

Nesses últimos 25 anos, elas se organizaram por meio de associações,  com focos voltadas principalmente para a produção e comercialização de produtos feitos por elas. Algumas se desenvolveram mais e outras menos. E a presença e a participação delas no movimento por meio dessas associações vem crescendo nos últimos anos.

Em diretorias executivas, apenas nas gestões de 2001 á 2004 teve a Rosline Fonseca – Piratapuya como diretora. Mas, nunca chegaram ao posto mais alto, à presidência ( o que aconteceu na última assembleia e será contado mais abaixo).

O papel delas no movimento indígena do Rio Negro.

 

Coordenadoras do DMIRN visitam e conversam com as mulheres indígenas. Foto: Acervo DMIRN

Atualmente, somam-se 14 associações de mulheres filiadas à FOIRN. Cada uma nas respectivas áreas de abrangência e dificuldades diferentes.

 Segundo a Rosane, a apesar das dificuldades que enfrentam, o movimento delas vem crescendo nos últimos anos. “As associações de mulheres na região estão crescendo aos poucos, mas, ainda enfrentam muitas dificuldades, como a elaboração de propostas de projetos, a formação técnica em linguagem exigida pelos editais de financiamento e como a própria documentação da associação”-disse.

A mulher assume um papel importante na maioria das histórias e mitos que contam o surgimento dos povos. Para os povos Baniwa e Coripaco, a mulher é responsável por muitos aspectos importantes e decisivos na história de origem e durante o processo de organização da vida social do povo, representadas pela Amarottadoa.

No movimento indígena do Rio Negro, acontece o mesmo. Muitas conquistas e realizações da FOIRN nessas primeiras duas décadas, contaram com a participação direta e indireta delas.

E vão conquistando seus espaços aos poucos. Depois que foi criada o DMIRN em 2002, passaram a participar ativamente das atividades e ações da federação. Mas, somente a partir da XVI Assembleia Geral da FOIRN realizado em Barcelos no inicio de 2011, com a aprovação do novo estatuto, passaram a ter direito de estarem (obrigatoriamente) participando  da eleição e concorrer vaga na diretoria da federação (cada Coordenadoria regional tem direito de indicar/escolher por meio de votação três candidatos, e entre esses, uma vaga é de uma candidata mulher).

Lá vão elas. E sonham alto. Hoje, elas veem a necessidade de criarem uma organização de representação em nível da FOIRN. E não pensam em deixar isso mais pra frente. Já vão discutir a pauta na próxima Assembleia Eletiva do DMIRN, prevista para o mês de maio de 2013, com data ainda não definida. “Além de eleger a nova coordenação do DMIRN, uma das fortes discussões que queremos iniciar nesse evento será sobre a criação de uma organização de mulheres a nível do Alto Rio Negro. E um dos objetivos da assembleia será o fortalecimento da política do movimento de mulheres indígenas do Rio Negro para garantir a participação ativa das associações de mulheres no movimento do Rio Negro”- explica a coordenadora do DMIRN.

Os desafios

A Rosane Cruz tem um grande peso de responsabilidade no fortalecimento do movimento das Mulheres do Rio Negro, através da reorganização das associações criadas por elas (foto: Arquivo pessoal).

Muito precisa ser feito, ainda. Mas, tem alguém disposto a fazer tudo pela causa. Na entrevista, ao ser perguntado quais desafios o movimento das mulheres tem pela frente. Ela dá uma pausa longa, como se precisasse respirar fundo, antes de dar a resposta. E volta a escrever: “Espero conseguir alcançar mais objetivos, para com isso Unir numa só corrente a luta das Mulheres”.

A Rosane, desde que começou a assumir o DMIRN, vem buscando formas de cumprir os objetivos do departamento através de diálogo com as mulheres que representam as associações e com aquelas que estão nas comunidades nas viagens que fez nesses últimos dois anos. Enfrenta dificuldades, principalmente por falta de recursos financeiros que é importante para realizar as viagens para as bases. Ainda mais por ser uma região muito grande. As vezes recebe convite, mas, não tem condições para chegar lá.

E ela não está sozinha. Quando a Rosane viaja fora do município para participar de eventos nacionais, tem a Anair Sampaio, da etnia Tukano, vice-coordenadora do DMIRN,  que também faz viagens e conversa com as mulheres nas comunidades. Nesses últimos anos ela  visitou e conheceu associações de mulheres das coordenadorias CABC, COITUA e CAIMBRN.

E o que é necessário fazer para fortalecer o movimento delas? “Hoje é necessária uma ação de reorganização e fortalecimento das associações de mulheres das bases, pois várias delas estão praticamente paradas, fazer articulação para poder fortalecer a força política das Mulheres Indígenas do Rio negro”- lembra.

Qual recado você deixa a elas? “Deixar claro a todas mulheres indígenas do Rio Negro que é não tão difícil conquistar um espaço dentro da Foirn. Por isso, elas precisam que ser participativas e conhecedoras dos principais problemas da nossa região. A conquista  na última assembleia, vai incentivar muitas mulheres. Quem sabe daqui quatro anos possamos coloca mais 2 mulheres dentro da Diretoria”.

Agora é a vez delas..

Elas comemoram a vitória na XVII Assembleia Geral da FOIRN, Almerinda Ramos a primeira mulher presidente da federação em 25 anos de história. Foto: Beto Ricardo/ISA

O que se pode esperar da gestão da federação com uma mulher na presidência? Na opinião da coordenadora do DMIRN, a facilidade de diálogo e a possibilidade de incluir (com mais facilidade) o planejamento do departamento junto com o planejamento da FOIRN pode ser esperado. “Com mulher na presidência, pode facilitar o diálogo entre a diretoria e o departamento nos planejamentos e na realização de nossas ações, como departamento. O que vai ajudar muito no fortalecimento do nosso movimento. Quanto sobre recursos financeiros, é nossa responsabilidade correr atrás”- afirma Oholipako.

Dia 8 de novembro de 2012, entrou para a história do movimento indígena do Rio Negro. O dia em que foi eleita uma mulher para presidir uma das maiores e mais respeitadas organizações indígenas do país, a FOIRN. Nome dela: Almerinda Ramos de Lima, 40, da etnia Tariana. Que deixou os homens, com brilhos nos olhos de surpresa e apenas na condição de expectadores na lotada maloca da FOIRN.

Muitos desafios vem pela frente para serem enfrentadas. E lá vão elas. As nossas lideranças e guerreiras! Com coragem e garra. Até onde vão chegar e quantos conquistas elas tem pela frente, não sabemos. Só o tempo vai dizer. E nós homens, precisamos fazer nossa parte. Valorizar, reconhecer, aplaudir e somar forças com elas.

Leia também: Departamento das Mulheres Indígenas do Rio Negro visita comunidades do Rio Xié para propor a criação de Associação das Mulheres Indígenas do Xié.

FOIRN lança site na Assembleia de comemoração de 25 anos.

Site da FOIRN lançando na Assembleia de Comemoração de 25 anos. Foto: reprodução.

A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro-  FOIRN lançou nesta terça-feira, 06 de novembro, o site institucional durante a XVII Assembleia Geral, em que completa 25 anos. O site está recheado de novidades sobre os Povos do Rio Negro, vale apenas conferir. O endereço é: http://www.foirn.org.br/.

 

V Assembleia Geral da CABC foi realizado em agosto em Canadá/Ayarí

Eu e Cia em Ação durante a V Assembleia Geral da CABC em Canadá-Ayarí. (foto: Daniel Benjamim)

Os objetivos da V Assembleia Geral da Coordenadoria das Associações Baniwa e Coripaco realizado em Canadá no rio Ayarí foram: a)- Avaliação da atuação da CABC e FOIRN na região do Içana e Afluentes; b)- Eleição da nova diretoria da CABC; c)- Indicação de novos conselheiros para Conselho Diretor e a indicação por eleição de candidatos que irão concorrer uma vaga na diretoria da FOIRN em novembro deste ano.

Os nomes para concorrer a FOIRN são: Isaias Pereira, Deusimar Coordeiro e Francinéia Fontes.