Dia das Mães.

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Dia das Mães.

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8 de Março – Dia Internacional da Mulher.

Em homenagem às lindas e guerreiras indígenas do Brasil, em especial, às do Rio Negro.

Mulheres Indígenas do Rio Negro se reuniram em SGC para discutir temas de interesse e elaborar propostas e planos de ação para próximos anos.

ImagemNa semana passada, entre os dias 03 a 05, acompanhei de perto o evento que reuniu mais de 50 mulheres indígenas, vindas de varias regiões do Rio Negro. Uma verdadeira aula de historia de movimento indígena pra mim, que antes, pouco conhecia o quanto era o envolvimento e participação delas, desde que o movimento indígena do rio negro foi formado.

Declarações de ex-diretores, como de Domingos Barreto, me fez lembrar e trazer aos “olhos” a fala da “Joaquina” (como aparece no vídeo), de como elas foram e são parte importante do movimento. Mas, nem sempre tiveram o devido espaço, como elas conquistaram desde que o Departamento de Mulheres Indígenas da Foirn foi criado em 2002.

Apesar dos altos e baixos desde que foi criado, o DMIRN consolidou o espaço delas no movimento, que pode ser mencionado como um dos resultados dentre os varias conquistas. Em 26 anos, apenas duas mulheres passaram na diretoria. A Rosilene Fonseca e a  a Almerinda Ramos que tem mais 3 anos de gestão pela frente.

Enfim…durante os três dias de evento, pude perceber o quanto ainda são grandes os desafios a serem superadas em termos de fortalecimentos de suas instituições, e como organização de suas iniciativas, relacionadas a praticas de produção.  E como representantes delas, as coordenadoras do Departamento foram cobrados frequentemente na reunião. Duas senhoras questionaram as atuais (da gestão 2010-2013), o por que elas não atenderam as demais regiões, se fizeram isso em outras.

Esse atendimento se resume em visitas e realizações de oficinas de formação e outros. E por ai vai…O que faz necessário uma explicação por parte das coordenadoras, do porque a ausência em todas as regiões. Primeiro por que a atuação do DMIRN abrange três municípios (Sao Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel e Barcelos), por isso, ha muitas demandas, e para agravar a situacao, os recursos são escassos, e o departamento não tem uma estrutura e equipamento para realizar viagens independentes. Segundo as coordenadoras, só chegam nas bases pegando “carona” com os coordenadores regionais, que nem sempre realizam viagens com frequência.

Outra critica. A Loja de produtos do Rio Negro, a Wariro, sempre foi vista por elas, como um espaço distante do que gostariam que fosse. Todas elas são produtoras de determinados produtos, usando cerâmica, tucum e fibras de piaçava. “A gente chega la, as vezes a gerente pede para passar outro dia, e quando vamos no dia seguinte, fala a mesma coisa..Isso nos desanima” – afirmou uma das participantes, ao se referir as gerentes anteriores da atual. “Agora esta melhorando, estou gostando” – conclui a produtora, falando dos avanços em relação a responsável atual.

O que elas querem?. Durante o evento, as participantes foram organizadas em grupos por associações para colocar no papel e apresentar as demandas. Formação e informação, troca de experiencias com outras mulheres de regiões diferentes foram os desejos mais repetidos nas exposições. Oficinas, encontros e feiras são formatos que apontaram para realização desses objetivos. Por isso, que Santa Isabel e Barcelos os aguardem! Elas vão la…O mais interessante, a preocupação em repasse e transmissão de conhecimentos esta sendo foco dessas oficinas e encontros.

Em 2014, a Casa do Saber da Foirn (maloca), sera um centro de formação de mulheres em produção de artefatos de cerâmica e produtos de tucum. Foram programas essas oficinas aqui em São Gabriel da Cachoeira. Ja esta anotado e agendado. Elas vao se organizar e deixar todo material a ser usado, pronto, e trazer para cidade, quando chegar a data. E a grana para reunir tantas mulheres e vários lugares diferentes? ” A Funai tem que nos apoiar” – disse dona Jacinta, presidente de uma das associações presentes no evento. Sobre recursos financeiros, elas com certeza irão atras, disso, não tenho duvidas.

Depois de toda discussão, no final do evento, chegou o momento mais esperado. E eleição da nova coordenação para o departamento de mulheres. Com o compromisso de trazer uma candidata, cada associação veio com 5 delegadas para votar. Mas, algumas associações chegaram com poucas delegadas, e apenas 4 apresentaram suas indicadas para concorrer. As quatro tiveram seu tempo para se apresentar e falar de suas propostas para a gestão. Isso, aconteceu no final do segundo dia.

No terceiro dia, apos, a palestra de dois enfermeiros do DSEI-ARN, sobre a Saúde da Mulher (Importância do Pre-natal, Câncer de Mama e Câncer de Colo de Útero), começou a votação. Foram mais de 30 votos no total. Resultado. Professora Rosilda Cordeiro da etnia Tukano, do Distrito de Taracuá como Coordenadora e Francineia Fontes, Baniwa, da comunidade de Assunção do Içana.

Depois disso, houve um momento que comoveu todos os presentes. Leituras de cartas de agradecimento das atuais coordenadoras do departamento, Rosane Cruz e Anair Sampaio, eleitas em 2010. Onde, elas, expressam suas aprendizagens, lutas e conquistas. ” Deixo o departamento, mas, continuarei sendo liderança indígena, o que me tornei” – finalizou a Cruz, que coordenou do DMIRN por três anos.

E nós, homens, estivemos la também para apoiar em momentos necessários. ” Falar de lutas e do movimento das Mulheres, e referir nos a luta do Movimento Indígena do Rio Negro”- disse, o Barreto, atual coordenador do CRRN-Funai.

Departamento das Mulheres Indígenas do Rio Negro visita comunidades do Rio Xié para propor a criação de Associação das Mulheres Indígenas do Xié.

Apesar de o Rio Negro ser uma das regiões com mais organizações indígenas do Brasil, a associações de mulheres ainda são a minoria, hoje apenas 10, das mais de 80 filiadas a FOIRN. E umas das regiões onde ainda não existe associação exclusiva das mulheres é o Rio Xié. Diante disso, o Departamento das Mulheres Indígenas do Rio Negro-DMIRN da FOIRN, criada em 2002, vem aos poucos criando, discutindo e abrindo espaços para a participação das mulheres nas várias esferas de discussão do município de São Gabriel da Cachoeira. A Coordenadora do DMIRN visitou na ultima semana 14 comunidades do Xié com objetivo de conhecer os trabalhos das mulheres e propor a criação de uma associação de Mulheres Indígenas do Rio Xié.

Rosane G. Cruz - Coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro da FOIRN (foto: Jiomara Trindade)

Acompanhada pelos coordenadores da CAIARNX, Filadelson e Evanildo (Coordenadoria das Associações Indígenas do Alto Rio Negro e Xié), pelo Denivaldo Cruz representando o sr. Luiz diretor da FOIRN (de Referência da Região do Alto Rio Negro) e Adão do Controle Social do DSEI (Distrito Sanitário Especial Indígena/Alto Rio Negro), a Rosane Gonçalves Cruz,  Coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro da FOIRN esteve nas comunidades do Rio Xié entre os dias 20 a 25 de julho, com objetivo de ouvir as mulheres e propor a criação da associação das mulheres desse rio.

É a primeira vez que o DMIRN chega nas comunidades dessa região. Por isso, segundo a Rosane, um dos objetivos dessa viagem, foi conhecer as comunidades e as mulheres dessa região. “O nosso objetivo nessa viagem conhecer a realidade, ouvir as mulheres da região do Xié”disse.

O Rio Xié hoje é uma das regiões do Rio Negro onde ainda não existe uma associação exclusiva das mulheres indígenas. As demais regiões, como o Içana e outras já funcionam algumas associações de mulheres há algum tempo, apesar das dificuldades. Diante disso, o DMIRN está iniciando uma conversa e articulando as mulheres dessa região para futuramente ser criado uma associação exclusiva delas.

Durante cinco dias, a equipe conversou e ouviu as mulheres nas comunidades São Marcelino, Vila Nova, Campinas, Boa Esperança, Santa Rosa, Santa Cruz, Cumati, Tunú, Umarituba, Cunuri, Tukano, São José, Anamuim e mais dois sítios. Segundo a coordenadora, há um grande interesse das mulheres em se organizarem em associação. “Segundo as mulheres, elas ainda não produzem artesanatos para a comercialização, apesar de ter um grande potencial de piaçaba na região, por isso, com a criação da associação pode contribuir com a organização da produção e formação das mulheres”-explica.

O próximo compromisso do DMIRN na região será contribuir discussão e criação da associação exclusiva das mulheres do Rio Xié, durante um grande evento que será realizado na comunidade Tunú entre os dias 09 a 13 de setembro deste ano.  Fica para mulheres nesse período, começar a pensar os nomes de quem poderá ser indicadas para a diretoria.

Com a criação dessa associação facilitará para  as mulheres em termos de produção de artesanatos ou elaboração de projetos próprios e para DMIRN, segundo a coordenadora será forma de contato e apoio em termos de assessoria e acompanhamento das mulheres do Rio xié.  Das mais de 80 associações indígenas filiadas a FOIRN, apenas  10 são das mulheres.

Em 2002, quando o departamento foi criado  durante o I Encontro de Mulheres Indígenas do Rio Negro, existiam apenas 2 associações de mulheres.  O DMIRN atua na região com os objetivos: 1)- Assegurar e viabilizar a defesa e o exercício dos direitos das mulheres indígenas na área de atuação da FOIRN; 2)- Representar politicamente organizações de mulheres indígenas do Rio Negro dos 23 povos da região em eventos deliberativos locais e nacionais; 3)- Auxiliar e incentivar a formação e desenvolvimento de associações femininas de base comunitário; 4)- Articular e coordenar reuniões e encontros; e)- Elaborar projetos da agenda de reivindicação das mulheres; 5)- Criar formas de comunicação e divulgação do trabalho das mulheres para seu fortalecimento político no movimento indígena; 6)- Apoiar pesquisas sobre artesanato, produtos agrícolas e outras formas de geração de renda para as mulheres buscando a valorização dos conhecimentos tradicionais das mulheres, a saúde, os direitos sexuais e reprodutivos e a participação social das mulheres indígenas.

Nascida e criada em Iauaretê no Rio Waupés, a Rosane antes de assumir o cargo de Coordenadora do DMIRN, em 2009-2010 fez o Curso de Gestores de Projetos e está no departamento desde 19 de maio de 2010. Hoje, com apenas 21 anos, além de mãe, carrega consigo a grande responsabilidade de cumprir objetivos descritas acima, que não é um trabalho fácil. Pois, a função exige habilidades políticas e administrativas para executar as tarefas diárias, com uma pesada agenda de participação em reuniões, eventos técnicos, comunitários e políticos, com o desafio de vencer distâncias entre as 700 comunidades que se localizam na grande região do Rio Negro.

Junto com a Rosane, atua no DMIRN a Anair Sampaio, como Vice- coordenadora do Departamento. Para saber mais e conhecer os trabalhos desenvolvidos pelo departamento é só chegar na FOIRN em São Gabriel da Cachoeira ou pela web, nos blogs pessoais das duas, que mantêm notícias atualizadas sobre as atividades. Os endereços dos blogs são: www.tukaninha2011.wordpress.com (Anair) e www.horipako.wordpress.com (Rosane).