Artesanatos – Rio Negro

Produtos confeccionados por artesãos indígenas do Rio Negro (AM).

Produtos confeccionados por artesãos indígenas do Rio Negro (AM).

Produtos como este são feitas à mão pelos artesãos indígenas do Rio Negro.

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Danças tradicionais no Rio Negro

Grupo de danças da Comunidade Ilha das Flores - Alto Rio Negro

Grupo de danças da Comunidade Ilha das Flores – Alto Rio Negro

As danças tradicionais estão de volta. E o mais importante e bonito de se ver, é o que os mais pequenos estão no meio dos mais velhos, aprendendo a dar passos, ou afinando as flautas tradicionais.

Não tive a oportunidade de aprender a tocar uma flauta desde cedo. Mas, através de escola indígena aprendi a tocar vários tipos de flautas (Baniwa).

E cada vez que participo ou aprecio uma apresentação de danças me emociono. E o mais bonito é que cada região, cada povo, tem suas danças e músicas diferentes uma da outra, apesar de alguns instrumentos musicais serem os mesmos.

Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro.

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Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro.

O Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro é entendido como um conjunto estruturado, formado por elementos interdependentes: as plantas cultivadas, os espaços, as redes sociais, a cultura material, os sistemas alimentares, os saberes, as normas e os direitos.

 

Leia também: Indios criam Conselhos da Roça para compartilhar saberes, práticas e fazer a diversidade dialogar no âmbito do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro.

Indígenas acampam em São Gabriel (AM) em condições precárias, em busca de benefícios sociais

Equipe Programa Rio Negro/ISA

Os períodos de férias escolares em São Gabriel da Cachoeira, noroeste amazônico, têm sido marcados nos últimos anos pela crescente presença de famílias das etnias Hupd’äh e Yuhupdëh. Elas vêm dos rios Tiquié e Papuri, de seus afluentes e do igarapé Japu em busca do acesso aos benefícios sociais (aposentadoria, bolsa família e auxílio-maternidade). Os que já acessaram os benefícios vêm sacar dinheiro e comprar mercadorias. A abertura de uma agência do INSS este ano e os mutirões de documentação realizados em área, em 2013, foram estímulos adicionais à descida dos Hupd’äh e dos Yuhupdeh. Entre janeiro e fevereiro de 2014, estima-se que cerca de 400 pessoas destas etnias ocuparam acampamentos nas imediações do porto Queiroz Galvão, localmente denominado de “beiradão”, em condições insalubres e com alta incidência de malária.

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Acampamento entorno do Porto Queiroz Galvão, em São Gabriel da Cachoeira. Foto: Reprodução

Boa parte das populações Hupd’äh e Yuhupdeh não domina a língua portuguesa nem os modos de interação das instituições locais responsáveis pela emissão de documentos e pelo acesso aos benefícios. Estas, tampouco procuram adaptar-se para incorporar as demandas destas populações. A fome, a doença e as não raras mortes de crianças desnutridas são parte deste cenário, incluindo-se nele situações de violência, endividamento junto aos comerciantes locais, que permanecem em posse de seus cartões e o roubo de suas embarcações e motores, o que muitas vezes inviabiliza a volta para as comunidades.

Na tentativa de amenizar a situação de caos, a equipe do DSEI (Distrito de Saúde Especial Indígena), com acompanhamento direto da assistente social Ana Paula Lima, realizou o atendimento à saúde, abrangendo vários acampamentos. A diretora presidente da Foirn, Almerinda Ramos, e o antropólogo Bruno Marques fizeram um levantamento de todos os acampamentos, da quantidade de famílias, dos motivos da descida para a cidade e dos problemas enfrentados até então, estabelecendo um quadro das demandas dos Hupd’äh na cidade. Este levantamento serviu de base para pensar um planejamento interinstitucional de assistência a eles na cidade, proposto por Domingos Barreto, Coordenador Regional da Funai, integrando o DSEI, a Foirn e a Prefeitura (CRAS).

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DSEI realiza atendimento à saúde nos acampamentos. Foto: reprodução.

Foi entregue ao prefeito da cidade, Renê Coimbra, a solicitação de construção de uma casa de apoio específica para a etnia Hupd’äh na sede do município. O documento, elaborado pelos professores Hupd’äh Severiano Salustiano e Tereza Saúva, reproduz o discurso comum desse povo, a respeito da cidade: “O interesse dos Hupd’äh na cidade não é permanecer aqui, mas apenas resolver problemas de documentação, cartões bancários e de programas de assistência social, receber dinheiro, comprar alguns pertences encontrados apenas aqui, e voltar rapidamente às nossas comunidades. Os professores e os agentes indígenas comunitários de saúde por vezes vêm à cidade também para resolver questões relativas aos seus trabalhos. A cidade não é para os Hupd’äh, pois aqui tudo funciona com dinheiro, mas precisamos comprar algumas coisas que só existem aqui, por isso precisamos de uma estrutura que nos possibilite passar apenas o tempo necessário na cidade, não prolongando a estadia e o sofrimento”.

Para os antropólogos Bruno Marques e Danilo Ramos a descida dos Hupd’äh e dos Yuhupdëh para a cidade deve ser entendida como um processo político por meio do qual, ao seu modo, eles ocupam as instituições e colocam as suas demandas, requisitando visibilidade.

Publicado no blog do Rio Negro do Instituto Socioambiental

Vozes do Rio Negro: Todos contra PEC 215, já Brasil!!!

Vozes do Rio Negro: Do Noroeste da Amazônia tríplice fronteira Brasil-Colômbia-Venezuela para o mundo sobre a luta dos povos indígenas no Brasil

Todos contra PEC 215, já Brasil!!!

 

Verás que um filho teu não foge à luta (Hino Nacional Brasileiro)

Estamos juntos em uma data, 7/02/2014, seguindo o calendário oficial da República Federativa do Brasil e conseqüentemente sua noção de tempo que nos fora imposta. Tal noção nós já dominamos e incorporamos ao nosso jeito, sem desrespeito à norma. Inclusive travamos momentos de diálogos, negociações e acordos com instâncias reconhecidas na nossa democracia. Hoje seria um dia de comemoração de acordo com o diário Oficial. No entanto, vemos mais um dia se passar, afinal já são quase 190.000 mil dias desde 1500, sem com que o ataque aos povos indígenas cesse.

Nem todos os brasileiros sabem o que aconteceu e o que está acontecendo com os povos indígenas de direito originário no Brasil do passado, no Brasil de hoje e de futuro. Eis aqui vamos contar para você entender a questão.

No passado fomos 5 a 6 milhões de pessoas, mais de 1.000 línguas e etnias diferentes. Para onde foram estes milhões de pessoas? Saíram para invadir outras terras em outros países? Os que chegaram aqui há bem pouco, já alcançam mais de 190 milhões de pessoas em apenas 5 séculos. E em apenas 5 séculos os povos nativos que aqui habitavam este lugar há milênios, foram reduzidos a menos da metade de um milhão. E as sua terras foram tomadas por completo através de um certo Estado Nacional inventado para dominar povos nativos na face da terra pelos poderoso-invasores. Ai de quem inventou isto na face da terra, por que através dele mataram muita gente, e um certo Deus está cobrando deles explicação sobre isso . E eles mesmos diziam que matar pessoas, seres humanos, era pecado, daí certo que hoje devem estar comemorando resultado de suas ações nas profundezas do inverno criado por eles para eles mesmos que é a pior condenação criada pelo criador para desobedientes.

Quase 2000 anos depois de Cristo, portanto depois de dois milênios, os povos indígenas garantiram seus direitos dentro do Estado Nacional Brasileiro; que em menos de 20 anos depois de 1988, os ruralistas, antigos latifundiários, hoje diretamente através do Estado Nacional Brasileiro no Congresso Nacional se valem para tentar rasgar os princípios da Constituição Brasileira através de emendas constitucionais com argumentos discriminatórios para vergonha nacional de forma cruel; nada estranho porque estão apenas seguindo conselhos de seus pais, avôs, da sua linhagem, de seus costumes que está há cada ano mais perto de acabar com o mundo suas ações resultaram no que é a mudança climática que não terá pena de ninguém, por mais que os ricos tentam construir suas moradas em outros planetas; mas a idade chegará neles e não sabem que não escaparão da morte que os levará ao encontro de seus ancestrais lá no inferno.

É o máximo que desejamos de felicidade para os ruralistas e a outros seus apoiadores e seguidores porque não temos força suficiente para fazer esta terra ter mais longevidade, para que as futuras gerações no planeta-terra pudessem usufruir tempos e mais tempos como viviam nossos antepassados há milênios atrás. Parece que sobre tudo, o que está acontecendo com os povos indígenas no Brasil de hoje tem aval da sociedade Brasileira ou do mundo como todo? Será finalmente o nosso fim tanto desejado pelos inimigos dos povos indígenas no Brasil? Mas não será isso o fim do próprio Brasil que anseia tanto a riqueza, o crescimento, o poder de consumo em uma ansiedade que não deixa as pessoas dormir direito todos os dias preocupados para não serem roubadas as suas riquezas? Será que não sabem que estão perdendo todos os dias as suas riquezas de tranqüilidade de serem apenas humanos e cuidarem da terra de fato? E que sua missão é de cuidá-la e não destruí-la? De manejá-la e não desmatá-la? De enriquecê-la e não empobrecê-la?

A história desta terra Brasil não condiz com princípios humanos para com os povos indígenas. Os povos indígenas não têm propriedade e título de terras. As Terras Indígenas são terras da União, são patrimônios da União dentro de política de ordenamento territorial. Ao contrário dos nossos antigos inimigos “latifundiários” hoje com a nova cara, cara refeita certamente com cirurgias plásticas que os maquiaram de “Ruralistas” que possuem 60% de Terras do Brasil como propriedade e parece que querem ter o Brasil inteiro como sua propriedade. Isso não é contra princípio de um Estado Nacional? Foi para isso que conseguiram chegar ao Congresso Nacional? Para mudar todos os direitos das minorias deste país e depois entre si distribuir mais Terras somente em nome de riqueza que destrói a própria terra no mundo?

Serão estas pessoas humanas, restos dos restos humanos no sentido de que são descendentes dos que vieram como bandidos para esta terra que estão destruindo todos os dias e de todas as formas? Será que não se preocupam com sua futura geração? Será que seus filhos não param para pensar e ver o que seus pais estão fazendo é uma crueldade contra seres humanos? Será que não carregam mais cruz no seu peito para lembrar que não são imortais?

Lembramos que 12% das Terras Indígenas são Terras da União, são Terras-patrimônios da União. E que isso é muito pouco que se conquistou depois de muita luta, muitas mortes de vida, depois de tantas perdas de terras originarias e que deve ter rigorosa proteção; que a União tem o dever de se fazer respeitar. Isto se este país ainda for democrático e de direito. Será?

Lembramos também que os 60% de Terras como propriedade e títulos que os Ruralistas têm das Terras Brasileiras, já significa uma ameaça a sociedade Brasileira. É uma ameaça interna que o Brasil não enxerga ou que se faz de cego por causa de interesses particulares que acabam desviando funções pública, governamentais e da coletividade. Uma grande maioria ainda nesta terra não tem espaço para construir uma pequena casa para descansar sua cabeça depois de longas datas de luta no dia-a-dia do trabalho.

Os chamados ruralistas, antigos latifundiários hoje não passam de uma “peste” que além de estarem em campos, destruindo a floresta, a terra, os rios, lagos, nascentes, estão nos partidos, também nos governos, no congresso, no judiciário, compram direitos, destroem direitos, atacam sem pena aos direitos especiais e das minorias da sociedade Brasileira. E o Governo Federal parece concordar com todo. Ainda existirá Justiça no Brasil dos latifundiários, ou melhor, dos “Ruralistas” para toda sociedade Brasileira?

Os povos indígenas são acusados falsamente década a década de internacionalizar a Amazônia, mas na verdade são Ruralistas que internacionalizam os direitos de alimentação, porque eles não alimentam a população brasileira, eles alimentam outros países com exportação e mais exportação, não se sabe ainda porque não se exportaram que seria melhor para o Brasil; são eles quem tornam as terras brasileiras em particulares. Quando conseguirem transformar tudo em seu benefício, ai o Brasil não será mais um país democrático e de direito.

Os povos indígenas já sofreram bastante, muito e muito, perderam muitas outras etnias na luta pela vida, já perdemos toda nossa terra, e pouco que reconquistamos dentro da própria Constituição, querem retomar o que só temos para nosso usufruto exclusivo, sendo ela mesma no Estado Nacional Brasileiro. Já tiraram de nós todas nossas terras, e já nos causaram desmatamento de nossas florestas, e desmatamento cultural, destruição da natureza, o que mais? E ainda querem mais e mais? Por isso o Brasil não pode aceitar quaisquer medidas legislativas e administrativas que afete negativamente os nossos direitos. Todos contra PEC 215, já Brasil!!!

Queremos nós representantes dos Povos Indígenas do Rio Negro reafirmar nosso compromisso e dever de manter aceso e permanente a luta e que não vai parar; que a luta pela vida continua pelos povos indígenas; que a luta para longevidade da terra continua para todos os filhos da terra, inclusive para os filhos dos nossos inimigos que querem acabar com nossos direitos que restou. Pois ainda mantemos vivo nosso ser de humanidade, nossa herança mais importante deixada pelos nossos ancestrais para com a vida na terra.

VIVA O DIA NACIONAL DA LUTA DOS POVOS INDÍGENAS!!!

Todos contra PEC 215, já Brasil!!!

São Gabriel da Cachoeira, 07 de Fevereiro de 2014.

Assina os povos indígenas do Rio Negro

Arapaso, Bará, Barasana, Desana, Karapanã, Kotiria (Wanana ou Uanano), Kubeo, Letuana, Makuna, Miriti-tapuya, Pira-tapuya, Pisa-mira, Siriano, Taiwano (Eduria), Tanimuka, Tatuyo, Tukano, Tuyuka, Yuriti; Baniwa, Baré, Kuripako, Tariana, Werekena; Daw, Hupda, Nadöb, Yuhupde, Nukak, Kakwa; Yanomami;

Publicado oficialmente no blog da Foirn: foirn.wordpress.com

Mulheres Indígenas do Rio Negro se reuniram em SGC para discutir temas de interesse e elaborar propostas e planos de ação para próximos anos.

ImagemNa semana passada, entre os dias 03 a 05, acompanhei de perto o evento que reuniu mais de 50 mulheres indígenas, vindas de varias regiões do Rio Negro. Uma verdadeira aula de historia de movimento indígena pra mim, que antes, pouco conhecia o quanto era o envolvimento e participação delas, desde que o movimento indígena do rio negro foi formado.

Declarações de ex-diretores, como de Domingos Barreto, me fez lembrar e trazer aos “olhos” a fala da “Joaquina” (como aparece no vídeo), de como elas foram e são parte importante do movimento. Mas, nem sempre tiveram o devido espaço, como elas conquistaram desde que o Departamento de Mulheres Indígenas da Foirn foi criado em 2002.

Apesar dos altos e baixos desde que foi criado, o DMIRN consolidou o espaço delas no movimento, que pode ser mencionado como um dos resultados dentre os varias conquistas. Em 26 anos, apenas duas mulheres passaram na diretoria. A Rosilene Fonseca e a  a Almerinda Ramos que tem mais 3 anos de gestão pela frente.

Enfim…durante os três dias de evento, pude perceber o quanto ainda são grandes os desafios a serem superadas em termos de fortalecimentos de suas instituições, e como organização de suas iniciativas, relacionadas a praticas de produção.  E como representantes delas, as coordenadoras do Departamento foram cobrados frequentemente na reunião. Duas senhoras questionaram as atuais (da gestão 2010-2013), o por que elas não atenderam as demais regiões, se fizeram isso em outras.

Esse atendimento se resume em visitas e realizações de oficinas de formação e outros. E por ai vai…O que faz necessário uma explicação por parte das coordenadoras, do porque a ausência em todas as regiões. Primeiro por que a atuação do DMIRN abrange três municípios (Sao Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel e Barcelos), por isso, ha muitas demandas, e para agravar a situacao, os recursos são escassos, e o departamento não tem uma estrutura e equipamento para realizar viagens independentes. Segundo as coordenadoras, só chegam nas bases pegando “carona” com os coordenadores regionais, que nem sempre realizam viagens com frequência.

Outra critica. A Loja de produtos do Rio Negro, a Wariro, sempre foi vista por elas, como um espaço distante do que gostariam que fosse. Todas elas são produtoras de determinados produtos, usando cerâmica, tucum e fibras de piaçava. “A gente chega la, as vezes a gerente pede para passar outro dia, e quando vamos no dia seguinte, fala a mesma coisa..Isso nos desanima” – afirmou uma das participantes, ao se referir as gerentes anteriores da atual. “Agora esta melhorando, estou gostando” – conclui a produtora, falando dos avanços em relação a responsável atual.

O que elas querem?. Durante o evento, as participantes foram organizadas em grupos por associações para colocar no papel e apresentar as demandas. Formação e informação, troca de experiencias com outras mulheres de regiões diferentes foram os desejos mais repetidos nas exposições. Oficinas, encontros e feiras são formatos que apontaram para realização desses objetivos. Por isso, que Santa Isabel e Barcelos os aguardem! Elas vão la…O mais interessante, a preocupação em repasse e transmissão de conhecimentos esta sendo foco dessas oficinas e encontros.

Em 2014, a Casa do Saber da Foirn (maloca), sera um centro de formação de mulheres em produção de artefatos de cerâmica e produtos de tucum. Foram programas essas oficinas aqui em São Gabriel da Cachoeira. Ja esta anotado e agendado. Elas vao se organizar e deixar todo material a ser usado, pronto, e trazer para cidade, quando chegar a data. E a grana para reunir tantas mulheres e vários lugares diferentes? ” A Funai tem que nos apoiar” – disse dona Jacinta, presidente de uma das associações presentes no evento. Sobre recursos financeiros, elas com certeza irão atras, disso, não tenho duvidas.

Depois de toda discussão, no final do evento, chegou o momento mais esperado. E eleição da nova coordenação para o departamento de mulheres. Com o compromisso de trazer uma candidata, cada associação veio com 5 delegadas para votar. Mas, algumas associações chegaram com poucas delegadas, e apenas 4 apresentaram suas indicadas para concorrer. As quatro tiveram seu tempo para se apresentar e falar de suas propostas para a gestão. Isso, aconteceu no final do segundo dia.

No terceiro dia, apos, a palestra de dois enfermeiros do DSEI-ARN, sobre a Saúde da Mulher (Importância do Pre-natal, Câncer de Mama e Câncer de Colo de Útero), começou a votação. Foram mais de 30 votos no total. Resultado. Professora Rosilda Cordeiro da etnia Tukano, do Distrito de Taracuá como Coordenadora e Francineia Fontes, Baniwa, da comunidade de Assunção do Içana.

Depois disso, houve um momento que comoveu todos os presentes. Leituras de cartas de agradecimento das atuais coordenadoras do departamento, Rosane Cruz e Anair Sampaio, eleitas em 2010. Onde, elas, expressam suas aprendizagens, lutas e conquistas. ” Deixo o departamento, mas, continuarei sendo liderança indígena, o que me tornei” – finalizou a Cruz, que coordenou do DMIRN por três anos.

E nós, homens, estivemos la também para apoiar em momentos necessários. ” Falar de lutas e do movimento das Mulheres, e referir nos a luta do Movimento Indígena do Rio Negro”- disse, o Barreto, atual coordenador do CRRN-Funai.

Movimento Indígena do Rio Negro: Agora é elas!

As mulheres indígenas do Rio Negro conseguiram um fato inédito na história do movimento. A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro- FOIRN terá primeira mulher presidente em 25 anos. Quem conta como a participação delas vem crescendo nos últimos anos é a  Rosane Cruz – Coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro – DMIRN , que coordena e acompanha de perto o movimento delas no Rio Negro.

Rosane Cruz- Coordenadora do DMIRN (foto: Arquivo pessoal)

Sorridente, corajosa e guerreira. Uma das poucas que conhecem de perto a realidade das mulheres  que vivem no chamado “cabeça de cachorro”. Quando o assunto é Mulheres Indígenas ou assunto relacionado a isso, é com ela mesma!  Essa é a Rosane Cruz ou Oholipako da etnia Piratapuya, de apenas 22 anos. A atual Coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas do  Rio Negro , espaço conquistado por elas dentro da FOIRN.

Nasceu e cresceu em Iauaretê no Rio Waupés, um dos principais afluentes do Rio Negro. Antes de assumir o DMIRN, fez o Curso de Gestores  de Projetos e de lá pra cá, muita coisa aconteceu. Entrou para o movimento indígena do Rio Negro e não parou mais. Depois do dia 19 de maio de 2010, quando foi eleita, a rotina da Rosane, passou a ser reuniões e viagens.

Criado em 2002, o DMIRN  entre outros objetivos, assume o compromisso de assegurar e viabilizar a defesa e o exercício dos direitos das mulheres indígenas na área de atuação da FOIRN e  representar politicamente organizações de mulheres indígenas do Rio Negro dos 23 povos da região em eventos deliberativos locais e nacionais

Estão presentes desde o inicio.

Elas estão presentes na luta desde o inicio. A participação delas foi decisiva para a criação da FOIRN em 19 87 (Clique aqui para assistir o vídeo de fundação da FOIRN).

Nesses últimos 25 anos, elas se organizaram por meio de associações,  com focos voltadas principalmente para a produção e comercialização de produtos feitos por elas. Algumas se desenvolveram mais e outras menos. E a presença e a participação delas no movimento por meio dessas associações vem crescendo nos últimos anos.

Em diretorias executivas, apenas nas gestões de 2001 á 2004 teve a Rosline Fonseca – Piratapuya como diretora. Mas, nunca chegaram ao posto mais alto, à presidência ( o que aconteceu na última assembleia e será contado mais abaixo).

O papel delas no movimento indígena do Rio Negro.

 

Coordenadoras do DMIRN visitam e conversam com as mulheres indígenas. Foto: Acervo DMIRN

Atualmente, somam-se 14 associações de mulheres filiadas à FOIRN. Cada uma nas respectivas áreas de abrangência e dificuldades diferentes.

 Segundo a Rosane, a apesar das dificuldades que enfrentam, o movimento delas vem crescendo nos últimos anos. “As associações de mulheres na região estão crescendo aos poucos, mas, ainda enfrentam muitas dificuldades, como a elaboração de propostas de projetos, a formação técnica em linguagem exigida pelos editais de financiamento e como a própria documentação da associação”-disse.

A mulher assume um papel importante na maioria das histórias e mitos que contam o surgimento dos povos. Para os povos Baniwa e Coripaco, a mulher é responsável por muitos aspectos importantes e decisivos na história de origem e durante o processo de organização da vida social do povo, representadas pela Amarottadoa.

No movimento indígena do Rio Negro, acontece o mesmo. Muitas conquistas e realizações da FOIRN nessas primeiras duas décadas, contaram com a participação direta e indireta delas.

E vão conquistando seus espaços aos poucos. Depois que foi criada o DMIRN em 2002, passaram a participar ativamente das atividades e ações da federação. Mas, somente a partir da XVI Assembleia Geral da FOIRN realizado em Barcelos no inicio de 2011, com a aprovação do novo estatuto, passaram a ter direito de estarem (obrigatoriamente) participando  da eleição e concorrer vaga na diretoria da federação (cada Coordenadoria regional tem direito de indicar/escolher por meio de votação três candidatos, e entre esses, uma vaga é de uma candidata mulher).

Lá vão elas. E sonham alto. Hoje, elas veem a necessidade de criarem uma organização de representação em nível da FOIRN. E não pensam em deixar isso mais pra frente. Já vão discutir a pauta na próxima Assembleia Eletiva do DMIRN, prevista para o mês de maio de 2013, com data ainda não definida. “Além de eleger a nova coordenação do DMIRN, uma das fortes discussões que queremos iniciar nesse evento será sobre a criação de uma organização de mulheres a nível do Alto Rio Negro. E um dos objetivos da assembleia será o fortalecimento da política do movimento de mulheres indígenas do Rio Negro para garantir a participação ativa das associações de mulheres no movimento do Rio Negro”- explica a coordenadora do DMIRN.

Os desafios

A Rosane Cruz tem um grande peso de responsabilidade no fortalecimento do movimento das Mulheres do Rio Negro, através da reorganização das associações criadas por elas (foto: Arquivo pessoal).

Muito precisa ser feito, ainda. Mas, tem alguém disposto a fazer tudo pela causa. Na entrevista, ao ser perguntado quais desafios o movimento das mulheres tem pela frente. Ela dá uma pausa longa, como se precisasse respirar fundo, antes de dar a resposta. E volta a escrever: “Espero conseguir alcançar mais objetivos, para com isso Unir numa só corrente a luta das Mulheres”.

A Rosane, desde que começou a assumir o DMIRN, vem buscando formas de cumprir os objetivos do departamento através de diálogo com as mulheres que representam as associações e com aquelas que estão nas comunidades nas viagens que fez nesses últimos dois anos. Enfrenta dificuldades, principalmente por falta de recursos financeiros que é importante para realizar as viagens para as bases. Ainda mais por ser uma região muito grande. As vezes recebe convite, mas, não tem condições para chegar lá.

E ela não está sozinha. Quando a Rosane viaja fora do município para participar de eventos nacionais, tem a Anair Sampaio, da etnia Tukano, vice-coordenadora do DMIRN,  que também faz viagens e conversa com as mulheres nas comunidades. Nesses últimos anos ela  visitou e conheceu associações de mulheres das coordenadorias CABC, COITUA e CAIMBRN.

E o que é necessário fazer para fortalecer o movimento delas? “Hoje é necessária uma ação de reorganização e fortalecimento das associações de mulheres das bases, pois várias delas estão praticamente paradas, fazer articulação para poder fortalecer a força política das Mulheres Indígenas do Rio negro”- lembra.

Qual recado você deixa a elas? “Deixar claro a todas mulheres indígenas do Rio Negro que é não tão difícil conquistar um espaço dentro da Foirn. Por isso, elas precisam que ser participativas e conhecedoras dos principais problemas da nossa região. A conquista  na última assembleia, vai incentivar muitas mulheres. Quem sabe daqui quatro anos possamos coloca mais 2 mulheres dentro da Diretoria”.

Agora é a vez delas..

Elas comemoram a vitória na XVII Assembleia Geral da FOIRN, Almerinda Ramos a primeira mulher presidente da federação em 25 anos de história. Foto: Beto Ricardo/ISA

O que se pode esperar da gestão da federação com uma mulher na presidência? Na opinião da coordenadora do DMIRN, a facilidade de diálogo e a possibilidade de incluir (com mais facilidade) o planejamento do departamento junto com o planejamento da FOIRN pode ser esperado. “Com mulher na presidência, pode facilitar o diálogo entre a diretoria e o departamento nos planejamentos e na realização de nossas ações, como departamento. O que vai ajudar muito no fortalecimento do nosso movimento. Quanto sobre recursos financeiros, é nossa responsabilidade correr atrás”- afirma Oholipako.

Dia 8 de novembro de 2012, entrou para a história do movimento indígena do Rio Negro. O dia em que foi eleita uma mulher para presidir uma das maiores e mais respeitadas organizações indígenas do país, a FOIRN. Nome dela: Almerinda Ramos de Lima, 40, da etnia Tariana. Que deixou os homens, com brilhos nos olhos de surpresa e apenas na condição de expectadores na lotada maloca da FOIRN.

Muitos desafios vem pela frente para serem enfrentadas. E lá vão elas. As nossas lideranças e guerreiras! Com coragem e garra. Até onde vão chegar e quantos conquistas elas tem pela frente, não sabemos. Só o tempo vai dizer. E nós homens, precisamos fazer nossa parte. Valorizar, reconhecer, aplaudir e somar forças com elas.

Leia também: Departamento das Mulheres Indígenas do Rio Negro visita comunidades do Rio Xié para propor a criação de Associação das Mulheres Indígenas do Xié.

Povos do Rio Negro: Especializações e trocas

Foto: Reprodução/pib.socioambiental.org

Por razões ecológicas, sociológicas e simbólicas, vigoram na região especializações artesanais (produção especializada de certos artefatos por diferentes etnias) que definem uma rede formalizada de trocas inter-comunitárias.

Os Tukano são conhecidos por seus bancos de madeira, os Desana e os Baniwa por seus balaios, estes últimos também pelos ralos de mandioca, os Kubeo pelas suas máscaras funerárias, os Kotiria (dizem alguns) por seus tipitis, os Maku pelas flautas de pã, o curare e os aturás de cipó. No caso dos artefatos de arumã, também há especialistas. No rio Tiquié, os Tuyuka e Bará se destacam como os melhores construtores de canoas, artigo de primeira necessidade para todas as famílias e que alcançam um bom valor de troca.

Hoje muitas comunidades também se dedicam à fabricação de artesanato para a venda ou troca por produtos industrializados. Com as missões salesianas, as mulheres passaram a se dedicar à fabricação, para a venda, de redes, tapetes e bolsas de tucum, que aprenderam nos colégios com as freiras, ou com ex-alunas e professoras índias que dão aulas nas comunidades.

No Içana há atualmente um aumento da produção de balaios e urutus para venda, muitas mulheres baniwa também se dedicam a esta atividade. Há outros locais onde se encontram especialistas na confecçãode cerâmica, objetos de pau-brasil e bancos rituais.

 

Fonte: pib.socioambiental.org