Pátria educadora que não prioriza a educação

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Gestores de escolas, professores, estudantes e pais de alunos saíram às ruas na manhã desta quarta-feira, 8 de abril aqui em São Gabriel da Cachoeira.

“O governo brasileiro diz que o Brasil é Pátria Educadora mas, não prioriza a educação” – disse Paiva Baniwa Trinho Paiva, um dos coordenadores da mobilização.

Sair às ruas foi para protestar e chamar atenção dos governantes foi um dos encaminhamentos da 1a Reunião Ordinária dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (SINTEAM) e Conselho de Professores Indígenas do Alto Rio Negro (COPIARN), realizado no dia 8 de março, que reuniu mais de 200 professores, elaborou uma carta para reivindicar:


Leia a carta: http://zip.net/bvq3Pw

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Indígenas acampam em São Gabriel (AM) em condições precárias, em busca de benefícios sociais

Equipe Programa Rio Negro/ISA

Os períodos de férias escolares em São Gabriel da Cachoeira, noroeste amazônico, têm sido marcados nos últimos anos pela crescente presença de famílias das etnias Hupd’äh e Yuhupdëh. Elas vêm dos rios Tiquié e Papuri, de seus afluentes e do igarapé Japu em busca do acesso aos benefícios sociais (aposentadoria, bolsa família e auxílio-maternidade). Os que já acessaram os benefícios vêm sacar dinheiro e comprar mercadorias. A abertura de uma agência do INSS este ano e os mutirões de documentação realizados em área, em 2013, foram estímulos adicionais à descida dos Hupd’äh e dos Yuhupdeh. Entre janeiro e fevereiro de 2014, estima-se que cerca de 400 pessoas destas etnias ocuparam acampamentos nas imediações do porto Queiroz Galvão, localmente denominado de “beiradão”, em condições insalubres e com alta incidência de malária.

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Acampamento entorno do Porto Queiroz Galvão, em São Gabriel da Cachoeira. Foto: Reprodução

Boa parte das populações Hupd’äh e Yuhupdeh não domina a língua portuguesa nem os modos de interação das instituições locais responsáveis pela emissão de documentos e pelo acesso aos benefícios. Estas, tampouco procuram adaptar-se para incorporar as demandas destas populações. A fome, a doença e as não raras mortes de crianças desnutridas são parte deste cenário, incluindo-se nele situações de violência, endividamento junto aos comerciantes locais, que permanecem em posse de seus cartões e o roubo de suas embarcações e motores, o que muitas vezes inviabiliza a volta para as comunidades.

Na tentativa de amenizar a situação de caos, a equipe do DSEI (Distrito de Saúde Especial Indígena), com acompanhamento direto da assistente social Ana Paula Lima, realizou o atendimento à saúde, abrangendo vários acampamentos. A diretora presidente da Foirn, Almerinda Ramos, e o antropólogo Bruno Marques fizeram um levantamento de todos os acampamentos, da quantidade de famílias, dos motivos da descida para a cidade e dos problemas enfrentados até então, estabelecendo um quadro das demandas dos Hupd’äh na cidade. Este levantamento serviu de base para pensar um planejamento interinstitucional de assistência a eles na cidade, proposto por Domingos Barreto, Coordenador Regional da Funai, integrando o DSEI, a Foirn e a Prefeitura (CRAS).

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DSEI realiza atendimento à saúde nos acampamentos. Foto: reprodução.

Foi entregue ao prefeito da cidade, Renê Coimbra, a solicitação de construção de uma casa de apoio específica para a etnia Hupd’äh na sede do município. O documento, elaborado pelos professores Hupd’äh Severiano Salustiano e Tereza Saúva, reproduz o discurso comum desse povo, a respeito da cidade: “O interesse dos Hupd’äh na cidade não é permanecer aqui, mas apenas resolver problemas de documentação, cartões bancários e de programas de assistência social, receber dinheiro, comprar alguns pertences encontrados apenas aqui, e voltar rapidamente às nossas comunidades. Os professores e os agentes indígenas comunitários de saúde por vezes vêm à cidade também para resolver questões relativas aos seus trabalhos. A cidade não é para os Hupd’äh, pois aqui tudo funciona com dinheiro, mas precisamos comprar algumas coisas que só existem aqui, por isso precisamos de uma estrutura que nos possibilite passar apenas o tempo necessário na cidade, não prolongando a estadia e o sofrimento”.

Para os antropólogos Bruno Marques e Danilo Ramos a descida dos Hupd’äh e dos Yuhupdëh para a cidade deve ser entendida como um processo político por meio do qual, ao seu modo, eles ocupam as instituições e colocam as suas demandas, requisitando visibilidade.

Publicado no blog do Rio Negro do Instituto Socioambiental

Rio Negro fervendo de formação nos primeiros meses do ano

II Turma  Baniwa do Curso Políticas Educacionais e Desenvolvimento Sustentável da -UFAM, em Assunção do Içana. Foto: Dario Casimiro

II Turma Baniwa do Curso Políticas Educacionais e Desenvolvimento Sustentável da -UFAM, em Assunção do Içana. Foto: Dario Casimiro

Começou no inicio dessa semana, o Curso Licenciatura Políticas Educacionais e Desenvolvimento Sustentável da Universidade Federal do Amazonas – em São Gabriel da Cachoeira. Coordenada e realizada pela UFAM em parceria com a FOIRN, o curso formou a primeira turma no final de outubro de 2013. E nesse ano, começa a segunda turma do curso, que são mais de 100 alunos, divididos em três pólos Baniwa, Tukano e Nheengatú, com localidades, de acordo com o território línguístico. Polo Tukano em Taracúa – Médio Waupes, Baniwa em Assunção do Içana – Médio Içana e Nheengatú em Cucuí – Alto Rio Negro. A primeira etapa do curso vai até na segunda quinzena de fevereiro, segundo informações divulgadas pela coordenação geral do curso.

Enquanto isso, o Magistério Indígena III – Curso de Formação para Professores Indígenas de nível médio está acontecendo na Ilha de Camanaus, próximo de São Gabriel da Cachoeira, que reúne cerca de 100 professores indígenas, distribuídos em cinco pólos: Baniwa, Tukano, Hupdah, Yanomani e Nheengaú. O curso deu início no dia 20 de janeiro e vai até no inicio do mês de março, no período em que começa as aulas da rede município. Segundo, o Juscelino Pereira, seleção dos candidatos para a terceira turma do Curso, teve como prioridade atender e garantir formação aos professores que já atuam na sala de aula, mas, que apenas tem formação acadêmica (nível médio). Dessa vez, o curso é realizada pela SEMEC em parceria com a SEDUC, que tem a empresa empresa Memvavmem como executura do projeto.

E utros Cursos de Graduação para formação de professores através do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica – PARFOR acontece no município, que atende o maior número de professores indígenas da região. E a turma da Licenciatura Intercultural do IFAM – Campus São Gabriel também está em formação nesse mesmo período. É o Rio Negro fervendo de formação nesses primeiros meses do ano.

 

Convite: Lançamento da série Kaawhiperi Yoodzawaaka em São Gabriel da Cachoeira

Convite do Lançamento do Livro em São Gabriel da Cachoeira (foto: reprodução).

O que a GENTE precisa para VIVER e estar BEM no MUNDO? A Escola Indígena Baniwa e Coripaco Pamáali, tem o prazer em convidá-los para o lançamento do livro “koaka wakanakaitali WEEMAKARO nheette MATSIAKARO WHAA aaha HEEKOAPI riko”, que na versão para Língua Portuguesa ganhou o título: “O que a GENTE precisa para viver e estar BEM no MUNDO”.
A publicação reúne 13 monografias de alunos de ensino Médio e Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Kalikattadapa – CEPDK, abordando assuntos e temas variados relacionados ao manejo de recursos e ambientes importantes para viver estar bem na bacia do Içana e no mundo. A série Kaawahiperi Yoodzaawa é inaugurada com este nº 1, que abre um novo momento para publicações de Escolas Indígenas no Rio Negro.

Local: Telecentro ISA/SGC
Data: 02/03/2012 Horário: 16 hs à 17hs
Rua Projetada 70 – Centro
São Gabriel da Cachoeira-AM
Obs: Aberto ao Público Interessado. Os livros estarão à venda, em versões nas línguas Baniwa e Português.

Econtro de Lideranças Indígenas do Rio Negro – Documento Final

I ENCONTRO DE LIDERANÇAS DOS POVOS INDÍGENAS DO RIO NEGRO
“Aperfeiçoando as estratégias e garantindo identidade indígena no Desenvolvimento Regional Sustentável. ’’

São Gabriel da Cachoeira, AM, 09 de fevereiro de 2012

Entre os dias 07 e 09 de fevereiro do ano de 2012 nós lideranças indígenas do Rio Negro estivemos reunidos para discutir a trajetória, a história e as perspectivas futuras para o movimento indígena da região, como representantes de 23 povos indígenas, falantes de 04 famílias lingüísticas distintas (Aruak, Maku, Yanomami e Tukano Oriental) habitantes milenares do Noroeste Amazônico,na região também conhecida como “Cabeça do Cachorro’’. Além de registrarmos as trajetórias passadas do movimento indígena, delineamos as trajetórias a serem seguidas para a consolidação do desenvolvimento sustentável da região sem abandonar nossa identidade e nossos conhecimentos ancestrais e práticas tradicionais, que permitiram a ocupação milenar da região, mas manifestando ao mesmo tempo nosso desejo de agregarmos o conhecimento técnico científico para desenvolvimento de nossas economias e a geração de renda para as mais de 700 comunidades da região. Assim estabelecemos um planejamento decurto, médio e longo prazo que possam criar um “sistema” e desde já iniciar o processo da execução das propostas, que são as seguintes:

1) Para viabilizarmos estas propostas é necessária a Criação de um Sistema de Sustentabilidade Socioeconômico e Cultural para a criação de receitas, gestão e gerenciamento de recursos e um processo de implementação que agregue o nosso valor, a nossa autonomia e a autodeterminaçãodos povos indígenas do Rio Negro;

2) Faz parte deste sistema potencializar as produções nas áreas de biotecnologia, agrobiodiversidade, produtos agroflorestais, ecoturismo, minérios (excluindo a Terra Indígena Yanomami), pagamento de serviços ambientais, cosméticos, artesanatos, das plantas medicinais, criação de animais de pequeno porte (piscicultura, aves, suínos, etc) e contribuição dos profissionais indígenas;

3) Para a viabilização e criação do sistema de sustentabilidade será necessária a formação de cooperativas indígenas de abastecimento, empresas indígenas, fábricas indígenas e a criação de uma política específica e umfundo para captação de recursos através da contribuição dos profissionais indígenas, dos futuros membros das cooperativas e empresas indígenas;

4) A formação e capacitação é fundamental para o processo de implementação dessa política através de cursos, seminários, oficinas e palestras sobre empreendedorismo, formação nas áreas do conhecimento científico que possam viabilizar o sistema de sustentabilidade, capacitação para a realização de pesquisas de mercado, marketing e publicidade;

5) Será necessária a elaboração de termo de ajustamento de conduta e normatização das atividades com vistas à proteção do conhecimento tradicional, do combate à biopirataria e proteção do conhecimento material e imaterial associados a recursos genéticos dos povos indígenas do Rio Negro de interesse econômico e propriedade intelectual;

6) O modelo de trabalho nas comunidades dos povos indígenas do Rio Negro deverá seguir a metodologia baseada no modelo familiar de produção das comunidades indígenas respeitando-se os clãs e grupos de parentesco em suas demandas e expectativas;

7) Os encaminhamentos destas propostas deverão ser levada em conta o conhecimento das lideranças tradicionais e dos atuais e futuros gestores indígenas e necessidade da formação técnica para que possa haver o máximo de harmonia e evitarmos mudanças bruscas no cotidiano das comunidades.

8) Deverão ser feitos também programas e projetos para melhoria de infra-estrutura e logística da região, buscando apoio dos órgãos e programas governamentais ou privados para a viabilização desta estrutura.

A implementação, a execução desta proposta e assim estudo de viabilização do sistema de sustentabilidade deverá ser feita pelaFederação das Organizações Indígenas do Rio Negro – FOIRN. Que deverá iniciar ampla campanha de mobilização e esclarecimento junto às organizações e associações de base, para que em conjunto possam atender as demandas das comunidades.

Para tanto deverá acionar desde já os parceiros estratégicos como a FUNAI, ISA, Universidades e demais setores do governo com programas na área indígena como MDA, MDS, MMA, buscando ainda a cooperação internacional (Banco Mundial, BIRD e outros) e os sistemas de empreendimentos consolidados no Brasil (BNDES, SEBRAE, ETC). A FOIRN deverá ainda ampliar, aperfeiçoar e revisar o ProgramaRegional de Desenvolvimento Indígena Sustentável do Rio Negro (PRDISRN) contando com a participação direta das coordenadorias, associações de base e comunidades. A FOIRN deverá criar um Departamento deSustentabilidade para desenvolvimento da política e do sistema de sustentabilidade.

Afirmamos ainda que todo resultado (lucro) advindo do sistema de sustentabilidade econômica deverá ser revertido em desenvolvimento social e cultural dos povos indígenas do Rio Negro, garantindo a preservação dos recursos naturais para as atuais e futuras gerações, cumprindo assim a função social das terras indígenas do Rio Negro. Todo o sistema deverá considerar as perspectivas e demandas indígenas, inclusive com a formulação de um sistema monetário específico e local, garantindo assim a autonomia e autodeterminação dos povos indígenas do Rio Negro. Este documento foi elaborado baseado nos resultados dos trabalhos de grupos das regiões administrativas da FOIRN e ainda nos resultados das discussões das experiências dos indígenas no meio urbano e dos yanomami.

Foi decidido que deverá ser composta uma equipe para acompanhar junto à FOIRN o trabalho de implementação das propostas e a criação do ‘’Sistema de Sustentabilidade do Rio Negro’’.

A equipe composta será a seguinte:
André Baniwa
Pedro Machado
Bráz França
Renato Matos
Gilda da Silva Barreto
Jorge Pereira
Marivelton Rodrigues
Afonso Machado
Nivaldo Castilho
Domingos Barreto
Valdir Yanomami

Mais sobre o evento aqui.

Povos do Rio Negro: Especializações e trocas

Foto: Reprodução/pib.socioambiental.org

Por razões ecológicas, sociológicas e simbólicas, vigoram na região especializações artesanais (produção especializada de certos artefatos por diferentes etnias) que definem uma rede formalizada de trocas inter-comunitárias.

Os Tukano são conhecidos por seus bancos de madeira, os Desana e os Baniwa por seus balaios, estes últimos também pelos ralos de mandioca, os Kubeo pelas suas máscaras funerárias, os Kotiria (dizem alguns) por seus tipitis, os Maku pelas flautas de pã, o curare e os aturás de cipó. No caso dos artefatos de arumã, também há especialistas. No rio Tiquié, os Tuyuka e Bará se destacam como os melhores construtores de canoas, artigo de primeira necessidade para todas as famílias e que alcançam um bom valor de troca.

Hoje muitas comunidades também se dedicam à fabricação de artesanato para a venda ou troca por produtos industrializados. Com as missões salesianas, as mulheres passaram a se dedicar à fabricação, para a venda, de redes, tapetes e bolsas de tucum, que aprenderam nos colégios com as freiras, ou com ex-alunas e professoras índias que dão aulas nas comunidades.

No Içana há atualmente um aumento da produção de balaios e urutus para venda, muitas mulheres baniwa também se dedicam a esta atividade. Há outros locais onde se encontram especialistas na confecçãode cerâmica, objetos de pau-brasil e bancos rituais.

 

Fonte: pib.socioambiental.org

Mais um final de semana em São Gabriel

Sábado de novo? Não é porque não quero que seja, mas,  como foi tão rápido a semana! Nessa semana que termina me dediquei as aulas do Magistério Indígena (Pólo Baniwa), na diagramação dos materiais produzidos e nos momentos vagos fiquei cuidando do blog da Pamáali e das redes sociais (face  e twitterda escola) e os meus também. Comentando, curtindo e fazendo alguns posts.

Na semana que vem estarei participando do Seminário de discussão da criação Instituto de Conhecimento dos Povos Indígenas do Rio Negro organizada pelo Instituto Socioambiental em parceria com a FOIRN e outras instituições parceiras.  A semana será especial, porque vou completar mais um ano de vida. Meu Aniversário será na quarta-feira, dia 6.

Que venha a próxima semana!